"Ninguém sabe o que é o bem, exceto aquele que sofreu o mal". (DRAXE, John)

O Enigma do Mal e do Bem

 

Já vimos em temas anteriores que na natureza tudo aquilo que é passível de ser conscientizado é, basicamente, uma manifestação vibratória de uma "essência cósmica” indefinível. É das mudanças que ocorrem naquela "essência" que todas as coisas surgem no Universo e  se manifestam sempre sob uma forma dual. Todas as mudanças e fenômenos na natureza manifestam-se sempre por interações entre polaridades opostas; assim sendo, há uma unidade implícita em todos os opostos. Até mesmo as emoções são também duais, são bipolares em natureza, assim como são as coisas físicas.

           

O estudo da polaridade das coisas, por certo, foi a primeira contribuição que o misticismo clássico legou para o entendimento da natureza do mundo. A teoria da bipolaridade, até o momento, ainda não foi tão bem estudada pelo misticismo quanto deveria sê-lo, e isso acontece por não ser muito fácil entendê-la plenamente, em decorrência da mente ocidental ser pouco afeita aos conceitos metafísicos e outros valores abstratos.

           

Vale dizer que a teoria da polaridade é muito antiga e  em alguns livros ela está exposta com muita propriedade, embora de forma às vezes vaga e incompleta. Nessa palestra ampliaremos aqueles conceitos bem conhecidos sobre o assunto e tiraremos muitas conclusões interessantes que, por certo, levarão à compreensão do grande Enigma do Mal e do Bem.

           

No Universo tudo pode ser reduzido a um bipolo, conseqüentemente, a lei da polaridade das coisas se faz sentir sempre, tanto nas manifestações materiais da natureza quanto nas emocionais. Portanto, as emoções, de um modo geral, não fazem exceção à lei da polaridade, por isso é que  temos:  Ódio / Amor;  Mal / Bem , Tristeza / Alegria, etc.

           

Em essência cada um desses bipolos é uma coisa só, portanto temos que o amor é a ausência do ódio; a coragem, a falta de medo; a tristeza, a falta de alegria, e assim por diante. Aumente-se o tamanho de algo pequeno, que ele se tornará grande, diminua-lhe o tamanho e aquilo que é grande se tornará pe­queno, etc. Essa inter-relação ocorre também nos estados emocionais. Exemplo: tire-se a alegria de alguém e este ficará triste.

           

Tudo no Universo pode ser desdobrado até um nível bipolar. Por mais complexo que seja algo ele sempre pode ser reduzido a um bipolo.

           

Nessa palestra estudaremos o enigma do Mal e do Bem à luz do Princípio da Polaridade. Chamamos de “enigma”, por ser algo que não foi bem compreendido por muitos pensadores, de qualquer tempo, pondo em dificuldades tremendas as religiões de muitos povos, pois  nenhuma delas conseguiu explicar algo coerente quanto à posição da Divindade diante das situações reconhecidas como más.

           

Mas afirmamos que tal enigma é decorrente tão somente da ignorância metafísica das religiões quanto à natureza de alguns atributos do Poder Superior e do Universo. Isso é o que cria toda a dificuldade. Em verdade, a coisa é até simples e bastante lógica para quem se dispuser a meditar um tanto sobre esse tema.

           

As religiões têm escrito livros e mais livros que não levam à parte alguma, pois o problema é tal qual o Enigma da Esfinge que diz: Decifra-me ou eu te devorarei. Como as religiões e filosofias místicas não conseguiram até hoje decifrar o enigma do  MAL e do BEM,  elas vêm  sendo   "devoradas " inexoravelmente.

           

Se, por um lado, o problema é difícil de ser entendido como dissemos antes, por outro, é extremamente simples, e o buscador ao conhecê-lo melhor ficará surpreso com a solução de um dos maiores enigmas metafísicos de todos os tempos.

           

Partamos, então, da premissa aceita (estudada no tema "Simbologia dos Números") de que o mal e o bem são, basicamente, uma única coisa. Um não existe realmente sem o outro, pois se um for o UM esotérico, o outro será o DOIS. O mal é a ausência do bem. Retire-se a bondade de alguém e este ficará mau e vice-versa.

           

A ilustração 1 é uma representação gráfica desse estudo. Nele há uma linha simbólica de um bipólo na qual um dos extremos representa o mal e o outro o Bem. Um não pode existir sem o outro, conforme todos os comentários sobre o simbolismo dos números UM e DOIS nos mostra.

 

MAL ___________________________________  BEM

 

Ilustração 1

           

Esse bipolo pode surgir em qualquer ponto do Universo, e como no Universo tudo emana diretamente ou indiretamente de DEUS, então podemos inferir que o bipolo Mal / Bem tem origem Nele.

           

Qualquer que seja a manifestação no Universo, ela só existe quando o ser se dá conta dela ( a pessoa se torna ciente dela).O bem apenas existe em função de alguém pois, para que ele exista, é necessária alguma forma de intelecto para sentí-lo, do contrário não seria uma manifestação perfeita (manifestação trina) . Disso fica explícito que a linha do mal e do bem (ilustração 1) existe sempre em função de alguma forma de percepção, e  deve necessariamente se situar à qualquer distância do bipólo, mas sempre fora dele.

           

Por incrível que pareça, é necessário tão somente compreendermos bem isso para que o enigma fique complemente elucidado e a "esfinge não nos devore".

 

MAL  ______________________________________ BEM

Percepção

 

Ilustração 2

           

O ponto não pode se situar na linha do bipolo porque a consciência (Percepção) por ele representada não tem a mesma natureza Mal/Bem. Não tendo a mesma natureza do bipolo ela  por certo  não deve estar  na mesma linha e sim numa outra. A consciência (se dar conta de) que se tem  de uma condição qualquer, nesse caso do mal e do bem, não faz parte dessa condição, é um  elemento de uma outra natureza, ou seja,  é simplesmente  consciência. Esclareçamos isso melhor: por mais perto que a consciência se encontre de uma emoção ela é algo diferente daquela emoção, não é parte da emoção e nem é de idêntica natureza, por isso é que não se pode situá-la na mesma linha.

           

Uma emoção, como já foi dito, não tem existência sem algo no qual ela possa existir. Assim, as emoções representadas por um bipolo não podem existir sem um outro ponto que corresponda à consciência[1], e como este ponto pode se deslocar livremente, então acrescentemos uma segunda linha para indicar os vários lugares onde ela pode se situar. Assim, a representação  gráfica passa a contar com duas linhas, uma representativa do bipolo e a outra do deslocamento da consciência ( Ilustração 3 ).

           

A forma de consciência necessária para a existência  do bipolo  MAL / BEM  pode se situar em qualquer ponto ao longo da linha. Sem a consciência para evidenciá-los tanto o bem quanto o mal não existem.

 

MAL ______________________________________ BEM

______________________________________

LINHA DE PERCEPÇÃO ( CONSCIÊNCIA)

 

Ilustração 3

           

Antes de prosseguirmos, faz-se necessária uma conceituação daquilo que é o mal e do que é o bem. O que é o Bem? - É tudo aquilo que harmoniza a natureza com as qualidades intrínsecas do ser. (O Bem quem sabe é quem recebe: Mˆ J.G.C.). Tudo aquilo que causa satisfação e prazer, que preenche satisfatoriamente as emoções, que atende aos anseios, que é gratificante, é para a pessoa um bem, embora possa não sê-lo para uma outra pessoa. O mal é o oposto disso.

           

Nesse ponto já podemos tirar uma primeira conclusão: o Mal e o Bem são coisas relativas, desde que não existe um limite de separação entre essas duas condições. Não se pode estabelecer um limite onde termina uma coisa e começa a outra. Vejamos então: para um conhecedor de música erudita, cujas emoções afloram ante um concerto, um espetáculo de música clássica é algo extremamente bom. Por outro lado,  uma pessoa que apenas sente emoções com músicas elementares, como uma "batucada", certamente um concerto de música clássica é algo ruim. Ora, uma mesma coisa - um espetáculo de música clássica - é boa para uma pessoa e ruim para outra, e isso acontece porque o Mal e o Bem são condições relativas à capacidade de cada um.

 

MÚSICA  CLÁSSICA ___________________________ BATUCADA

_P____________

LINHA DE CONSCIÊNCIA

 

Ilustração 4

           

Na linha de consciência  assinalemos um ponto P onde  pode estar situada uma pessoa, que pode ser de tipos bem diferentes.

            A - Pessoa apreciadora de Música Erudita;

            B - Pessoa apreciadora de batucadas.

Se  no ponto assinalado com  P estiver situada a pessoa A, o Bem estará perto e o mal distante – haverá felicidade. Assim já se pode sentir como as duas condições Mal / Bem  são relativas. Em essência, o Bem e o mal são condições que existem de conformidade com o ser Serciente, conforme a sua localização  diante do bipolo. Um espetáculo de música erudita e de batucada não são coisas boas ou más em si mesmas; elas são o que são. O agrado ou desagrado são condições, ou níveis  de apreciação, do ser que se situar diante da linha de consciência.

           

No bipolo a condição de bem e mal é  única e tem origem na Divindade Suprema, sem que isso implique em ser Ela boa ou má. A linha do bipolo é imutável, num bipolo a natureza dessa linha não muda. O fator mutável é aquele que se situa na linha inferior, na linha de consciência.

           

No caso representado na ilustração 4, qualquer modificação na linha do bipolo seria somente possível no sentido de melhorar a batucada ou de  piorar a música clássica, o que equivaleria a aumentar ou diminuir a distância entre os dois pólos. Já na linha de posição da consciência tanto seria possível uma modificação no sentido da posição ao longo da linha, quanto numa modificação do grau de apreciação do observador, isto é, na qualidade intrínseca do ser consciente que nela esteja situado. Um ser que estivesse diante da batucada poderia se deslocar fisicamente para uma outra  posição, para um lugar onde houvesse música “melhor”, mas para que ele pudesse se sentir bem seria necessário  uma modificação  no seu nível de cultura musical; precisaria melhorar o seu conhecimento musical.

           

Diante de uma determinada situação não cabe ao ser modificar a linha do bipolo fundamental, mas apenas se situar numa outra posição em relação ao grau de apreciação do observador, ou seja,  adaptar-se. O elemento  B deveria se deslocar  para o outro extremo, então, teria o bem  diante de si e o mal afastado. Pelo exemplo podemos sentir que não há  Bem e nem há Mal independentemente do ser. Não há nem Bem e nem Mal  absolutos, há apenas condições relativas.

 

 

 

 

DOENÇA _________________________________ SAÚDE

(TIFO)                                            

   _____________________________

SALMONELLA                     HOMEM

                                                                        

Ilustração 5

 

Na ilustração 5 representamos uma outra condição, uma doença. Suponhamos a febre tifo, que é uma moléstia provocada por uma bactéria, a Salmonella thiphii. Representemos simbolicamente o bipolo:  Doença / Saúde com dois níveis de consciências – dois seres conscientes – na linha  inferior, na linha de localização de consciência. Na situação representada, a condição para o homem é má, desde que ele está diante da doença. Para o organismo humano a febre tifo é uma péssima condição, porém excelente para a Salmonela. Para o homem, o bem está no pólo saúde, logo  ele deve procurar   situar-se o mais próximo possível deste pólo e afastado do pólo doença.  Para a Salmonella  dá-se o inverso. A Febre Tifo em si não é nem boa nem má, ela é o que ela é, porém pode ser algo bom ou algo mau, dependendo da posição  do ser que se situar diante dela. Se for aplicado Cloromicetina, um antibiótico específico ao micro-organismo, então, a presença do antibiótico é um bem para o homem, mas é um mal para a Salmonella. Vemos assim como o Mal e o Bem são relativos ao ser e à sua posição  diante da semi-reta representativa da linha de consciência.

           

Examinemos agora uma condição um pouco mais complexa. Representemos na linha de posição de consciência, um ponto intermediário.

 

MAL ________________________________________ BEM

___+_______________+__________________+_

      A                        B                           C   

 

Ilustração 6

 

Situemos na posição A um grupo de pessoas equilibradas, dignas e respeitáveis; na posição B, um grupo um tanto desonesto, com falhas de caráter; e na C, apenas malfeitores. Alguém que não aceitasse os princípios não éticos dos malfeitores, mas que estivesse situado no ponto C evidentemente desejaria estar no ponto B, pelo menos acharia aquele ponto muito bom em relação ao C, com pessoas boas, etc., pois ela o compararia com o seu grupo e veria que os situados no ponto B eram bem melhores. Já o mesmo indivíduo se estivesse situado no ponto A teria uma impressão péssima daquele mesmo grupo B. Veria todas as falhas e acabaria considerando os integrantes dos demais grupos, B e C, maus.

           

Usem o mesmo esquema colocando três níveis de sofrimentos, em vez de pessoas. No ponto A, ausência de sofrimento; no B, um sofrimento não muito intenso; e no ponto C, sofrimento dantesco.  Para aquele que estivesse no ponto C, um deus que o pusesse em B seria um deus de bondade, a pessoa acharia haver alcançado uma graça, uma bênção divina, um prêmio; porém se ela estivesse em A e fosse levado para B, seria o inverso, o deus seria mau, seria um deus de punição impondo-lhe alguma forma de castigo. Raciocinem sobre esse esquema procurando situar o Mal e o Bem, e verão o seguinte:

           

  1. O Mal e o  Bem são apenas pólos opostos de uma mesma coisa

  2. A origem  do bipolo está na origem da própria natureza da creação, e como tudo no Universo foi creado por Deus, qualquer situação  que o bipolo represente será oriunda do  Creador;

  3. Os  pólos são relativos ao observador.

           

Deus não é  bom nem mau, Ele, segundo a visão dualística, creou tão somente uma estrutura com imensa sapiência e regida por um sistema de leis que podem originar tudo.

           

Vejamos outros exemplos: na linha do bipolo representemos um período de chuvas.  Num  dos pólos estaria a chuva e no outro o estio. Para algumas culturas agrícolas a chuva é um bem, e para outras, que necessitam de pouca água,  a seca  é o bem e a chuva a calamidade.

           

Uma catarata – cachoeira – não  é boa nem má, contudo, pode ser uma ou outra coisa dependendo da posição em que se esteja situado. É uma coisa boa, quando pode ser utilizada para a produção de energia ou como  ponto turístico, etc., mas, é má quando alguém a utiliza para se suicidar, etc.

           

A Consciência Universal está manifesta em todas as situações, porém não lhes empresta caráter bom ou mau. A Mente Creadora deu origem a uma estrutura regida por leis que permitem a ocorrência de uma infinidade de situações, porém, é somente ao ser que compete impor um  valor bom ou mau, para isso é dado a ele utilizar todas essas leis que lhe possibilitam  criar situações  boas  ou más. A natureza é o que ela é, tem todas as potencialidades e guarda todos os princípios capazes de torná-la totalmente conhecida. Ela não tem leis ocultas, mas sim leis desconhecidas. Cabe descobri-las e utilizá-las devidamente. Conhecendo-as, o descolamento do ser diante do Mal e do Bem, torna-se fácil e simples. O Universo é algo tão perfeito que o ser, se souber utilizar adequadamente as suas leis, viverá num eterno paraíso, como também, se não souber, ele poderá viver num inferno. As duas coisas são baseadas num mesmo bipolo. É bastante o ser se deslocar para um lado ou para o outro na linha de posição da consciência  para se aproximar ou se afastar do mal. Com essa afirmativa surge uma série de especulações que poderão por a pessoa em dúvida, se não forem analisadas em profundidade.

           

Agora vejamos algumas situações  aparentemente contraditórias dessas verdades universais que estamos examinando. Como o ser pode se deslocar na linha de posição da consciência para evitar o mal? - Há  situações das quais ele não pode fugir, dirão alguns. Isso é relativamente válido apenas na aparência, mas não na essência. Por exemplo, um lavrador que haja sofrido prejuízos oriundos de uma seca,  pode-se pensar que ele foi atingido por uma coisa má? - Sim, mas foi um mal unicamente resultante  do desconhecimento de certos princípios da Natureza que, se fossem sabidos à tempo, impossibilitaria a ocorrência da seca. Se houvesse evitado seria um deslocamento ao longo da linha de posição. Ele poderia  haver previsto a seca e até mesmo ter tirado proveito dela e auferido lucros, em vez de prejuízos. Assim, teria se  deslocado  da situação onde a seca é um mal para uma outra onde ela é um bem. Nem seria necessário um deslocamento físico, apenas usando a situação com proveito consciente. Como ele poderia saber isso à tempo? - Eis o  "nó górdio" da questão. O homem conhece muito pouco a meteorologia, a culpa disso é unicamente dele; as leis e princípios desta ciência a própria natureza ensina, é só envidar os esforços necessários até o completo conhecimento de todas elas. A mesma  natureza que produz uma seca tem leis suficientes para ensinar como  preveni-la, apenas é necessário o homem conhecê-las, pois, em sua grande maioria, elas ainda são desconhecidas. Com o emprego de métodos novos e diferentes, e pela aplicação da própria intuição, ele poderá conseguir isso; previsões precisas poderão ser feitas. Alguém poderá contestar o valor da intuição. Mas, vale anotar que muitos animais, até mesmo certos insetos, pressentem com muita antecedência fenômenos  atmosféricos e tectônicos. Se não é pelo instinto – que não deixa de ser uma forma especial de intuição –,  aqueles seres sentem certos princípios que são capazes de dotar-lhes da capacidade de prever tais eventos.

        

Voltamos a repetir que qualquer manifestação no Universo só tem significação quando  há alguma forma de percepção para registrá-la, e que a mente não pertence diretamente à manifestação, estando, por isso, fora do bipolo.

           

O ser  que observa um fenômeno pode estar muito ou pouco afastado dele, mas nunca está como um ponto integrante da própria manifestação. Um ser, por exemplo, pode estar dentro de um furacão, pode sofrer toda a sua ação, mas ele não é  parte do próprio furacão, é sempre um observador. Assim também acontece em qualquer outra situação. Essa é a razão pela qual  na  representação gráfica de um fenômeno  qualquer,  são utilizados duas linhas; uma representando o bipolo e a outra o deslocamento da consciência.

           

Agora já podemos aplicar o triângulo  como figura representativa de um fenômeno. Localizando-se o ser consciente num ponto da linha inferior podemos constatar que ele terá ciência (se dará conta) das duas situações extremas do bipolo, por isso, poderemos unir os três pontos e assim formar um triângulo  em que numa das pontas está o observador e nas outras duas as situações  do bipolo. Exemplifiquemos com uma analogia, com  uma situação qualquer. Suponhamos uma tempestade. Uma tempestade só terá significação se algum ser tiver consciência dela, portanto representemos na linha inferior aquele ser. Só se tem consciência  da tempestade porque existe o seu oposto, a calmaria. Isso forma um bipolo que permite  a formação do triângulo  pela  ligação  desses três pontos  (Ilustração.  6 )

         

CALMARIA                                                         TEMPESTADE

 

 

 

           

 

 

SER                                                                              

Ilustração 6

 

Neste caso o ser está diante da calmaria, mas ele poderia se deslocar para diante do pólo oposto, a tempestade. Neste caso a conformação do triângulo seria diferente, mas sempre um tri­ângulo. ( Ilustração 8 )

 

CALMARIA                                                                 TEMPESTADE

 

 

 

 

 

 

                                                                                 SER

Ilustração 7

 

Há uma infinidade de situações intermediária, conforme o ser se desloque na linha de consciência  e que  originam diversas formas de triângulos.

           

Eis uma aplicação para o triângulo sagrado dos místicos. Assim ele se torna de fácil compreensão, mas como é normalmente apresentado nos livros na maioria das vezes se torna quase que inacessível.

           

Um ser se deslocando, quer física quer emocionalmente, naquilo que chamamos  linha de consciência, pode aumentar ou diminuir o efeito das polaridades sobre si; há uma modificação do tipo de triângulo, as relações entre os  dois se alteram, e como as condições são exatamente representadas pelos lados do triângulo, se estes se alteram, claro que haverá uma modificação radical de qualquer situação. Portanto, modificando o triângulo o ser se harmoniza com a natureza e ela  então deixa de lhe ser hostil.

           

Vale observar que todos os três pontos do triângulo são  variáveis. A  intensidade dos pólos e a distância  entre eles podem variar, isto é, pode ocorrer um afastamento dos pólos entre si. O terceiro ponto, situado na linha de posição da consciência, representa o ser e também é variável porque pode ser modificado em função da possibilidade de seu deslocamento. Vale, contudo, notar que em qualquer situação a forma triangular permanece intacta. Pela figura três, podemos sentir que, se aquele ser estudasse música, se ele angariasse uma apreciável cultura musical, necessariamente ele estaria  sofrendo uma modificação  e teria  necessidade de se deslocar para o pólo A (quando dizemos deslocar não  queremos necessariamente nos referir a descolamento físico, por significar apenas  uma modificação da natureza do  terceiro ponto).

           

Ele poderia se deslocar especialmente saindo de um ambiente de música erudita para um de música elementar, ou vice-versa, mas também poderia se deslocar por  modificação  de seu gosto musical. Neste caso, poderia apenas se modificar no ponto que lhe é desagradável, modificar-se com a aquisição de cultura musical e acabaria por gostar de músicas clássicas e essa deixaria de ser uma coisa ruim para ele.

           

Suponhamos uma catástrofe cósmica de grande envergadura. Mesmo isso poderia ou não provocar um mal. Por certo, com o desenvolvimento espiritual um ser  terá capacidade de evitar um evento de tal natureza  ou magnitude.

           

Tudo no Universo é regido por leis e todas as leis guardam relações entre si, e com o conhecimento que o ser venha a ter dessas leis  poderá fazer coisas verdadeiramente fantásticas.

 

" O QUE EU FAÇO VÓS PODEREIS FAZER " ( Jesus)

           

Atualmente é possível, graças a uma rede de satélites meteorológicos, prever a ocorrência de um furacão,  saber quando e onde ele vai atuar. Por outro lado, a engenharia atual permite construções suscetíveis de nada sofrerem ante as tormentas. Desta maneira, é possível levar a zero o mal provocável por um furacão. Alguns anos passados ele poderia ser  algo devastador, um grande mal, portanto. Atualmente, à cada dia, vem se tornando algo  inofensivo. Isso equivale a um deslocamento na linha de localização de consciência.

           

Outro exemplo atual pode ser citado na área da sismologia. É possível se prever terremotos, bem como criar cidades capazes de resistir a eles. Essa capacidade é uma forma de deslocamento. Num futuro não muito distante a força dos vulcões será controlada e mesmo a sua energia aproveitada. Isso equivale a uma inversão do mal em bem, é um deslocamento de uma extremidade à outra da linha de consciência. No início temos  seres despreparados ante um vulcão, depois já os teremos preparados, pois eles se defenderão e até mesmo transformarão o vulcão  em algo útil para eles. Por certo, o vulcão em si  não se modificará em nada, o que se modificará será a compreensão para o desenvolvimento de uma tecnologia apta para utilizá-lo proveitosamente. Isso equivale à pessoa humana se harmonizar com a natureza, pelo conhecimento.

           

Mais um exemplo bem atual. Referimo-nos  às inundações. Há muitas regiões em que os homens viviam sob constante ameaça  de devastações  determinadas por inundações, por enchente de rios. A ciência evoluiu e o homem aprendeu a construir represas e a utilizar  a energia  hidráulica. Assim, uma enchente passou a ser controlável e  aquilo que era um mal passou a ser um bem, pois  ampliou o benefício  usando a energia  hidráulica. O homem, além de fazer desaparecer o mal, de alterar o "castigo divino", ainda está podendo irrigar os campos e obtendo as melhores safras, como também para a criação de peixes, para a  produção de energia elétrica e  tanto mais. A enchente de um rio por si só é a mesma, ela não se transformou intrinsecamente, não passou  de má para boa pois, essencialmente, continua  como sempre  foi. O que ocorreu foi que o ser se deslocou alterando o triângulo básico.

           

No passado uma epidemia era tida como uma coisa extremamente má, mas para as bactérias responsáveis era algo extremamente bom. O homem descobriu os princípios da imunologia e hoje ele é capaz de controlar epidemias, isso equivale ao deslocamento do homem, não em sua posição  diante do fenômeno, mas alterando a sua capacidade de resistir. A epidemia não é algo bom nem mau, essas duas condições não pertencem à epidemia em si, mas ao ser que estiver sob a sua ação. Para o homem, ela é algo ruim, mas para a bactéria ela é algo bom.

           

Ao homem cabe conhecer todas as leis naturais e saber utilizá-las, isto é, viver harmonizado com a natureza; conhecer tudo e fazer do conhecimento um uso racional. Isso é uma forma de harmonização com o Cósmico. Existem duas maneiras do ser se harmonizar com o Cósmico:

 

  1. esenvolvendo  o conhecimento pelo estudo, pela observação e pesquisa das leis naturais. É o método usado pela ciência;

  2. Desenvolvendo a mente para receber diretamente o conhecimento puro.  É o  processo metafísico que ocorre com o desenvolvimento da intuição, em que o ser recebe o aviso de que algo  vai lhe acontecer e graças a isso ele se previne, evitando conseqüências desagradáveis.

           

Antes comentamos sobre a polaridade das coisas abstratas, agora estamos analisando as coisas concretas – materiais.

                      

O processo sempre é o mesmo, é o ser que se situa na linha de consciência quem aquilatará o sentido da ação, boa ou má.

           

É essencialmente possível o deslocamento, consequentemente a transmutação de qualquer situação. Dentro da  consciência plenamente clara o mal nunca pode acontecer, pois o ser em tal situação é capaz de  provocar o seu deslocamento revertendo a situação. Porém, na prática o  mal ainda existe, mas ele  é resultante da incapacidade que os seres ainda têm de modificarem o triângulo pessoal. Por isso, quase nunca ocorre  a reversão, os seres não estão preparados para preverem a tempo e modificarem as situações. Mas, esse "prever" é somente resultado da incapacidade de utilização dos dois tipos de harmonizações citados.

           

No passado alguém poderia disseminar uma epidemia de febre tifo numa comunidade qualquer. Hoje, graças à vigilância sanitária, ao tratamento da água, e à vacinação da população, por certo aquele tipo de mal já não surtiria tanto efeito quanto poderia ocorrer no passado, e isso se deve à harmonização do primeiro tipo (A).

           

Um hipotético ser, 100% harmonizado com a Consciência Universal, é invulnerável dentro de certos limites biologicamente impostos pelos meios da Harmonização Cósmica. Como tal ele sempre teria condições de deslocamentos e assim se tornaria inatingível por qualquer forma aparente de mal.

Concluiremos essa palestra mostrando a sapiência de um grande mestre quando diz:

 

 

 "SÓ QUEM CONHECE O BEM É QUEM O RECEBE"

 

 

 

[1] Consciência no sentido de “se dar conta de”.

© 2016 José Laércio do Egito. Criado e mantido por Filipe Lima.