Estudos Herméticos

     Como já referimos em palestras bem anteriores, os estudos herméticos são muito vastos, abrangendo muitos ramos das ciências, tais como Filosofia, Teologia, Astronomia, Alquimia, Magia, Cosmologia, Medicina, Metafísica e outros. Na verdade os escritos superam em número a casa dos 100.000. Parte desse conhecimento no Antigo Egito era de domínio público, e em parte eram reservados aos Iniciados das Escolas de Mistério. Com o tempo aquilo que era do domínio público foi se perdendo um elevado número de documentos foram destruídos, mas o conteúdo daquilo que havia sido guardado pelas escolas de Mistério foi em grande parte preservado e hoje fazem, parte dos acervos de algumas organizações tradicionais. Diz a Tradição que as chamadas “Tabuas de Esmeralda”, assim como os papiros correspondentes à cada uma das 12 câmaras secretas, ainda existem e que estão guardadas no Templo da Esfinge em algum lugar soterrado no Egito.

     Durante séculos algumas organizações tornaram-se depositárias dos conhecimentos herméticos os quais vieram a se constituir a base dos seus ensinamentos. Existem diversas ordens dedicadas aos estudos herméticos e que atuam separadamente no que diz respeito os objetivos específicos. Assim uma se relaciona com a cabala; outra com a magia; com a alquimia, com a filosofia, com a metafísica, e assim por diante. Senão impossível, pelo menos pouco prático uma só organização se dedicar à totalidade do colossal volume de ensinamentos e informações deixados por Thot.

     As Ordens autênticas, guardiãs dos segredos herméticos, que se dedicam ao aspecto cosmogônico e filosófico do Hermetismo, usam classificar e distribuir os ensinamentos em “câmaras”, tal como era feito no antigo Templo da Esfinge. Simbolicamente as câmaras representam tanto o desenvolvimento espiritual da pessoa, quanto ao nível de conhecimento acessível a todos os que tenham a precisa dedicação.

     Nas palestras antecedentes falamos dos seres habitantes das câmaras, e dissemos que, por exemplo, que a 11ª corresponde aos Mensageiros Divinos, Avatares, Patriarcas, Iniciadores e coisas assim. Isto é um dos sentidos das câmaras, indicar o grau de evolução espiritual do ser, mas num outro sentido elas simbolicamente indicam os doze níveis de conhecimentos esotéricos. Por exemplo, uma das câmaras diz respeito aos conhecimentos de cabala, outra de alquimia, outra de magia, e assim por diante.

     No sentido de grau espiritual as câmaras se sucedem, mas no sentido de conhecimento esotérico não é assim, pois a pessoa pode adquirir sem que haja adquirido o das demais. Na verdade para um bom entendimento é significativo se ter um conhecimento geral da temática básica de todas as câmaras, mas não é exigido que a pessoa tome o conhecimento de uma câmara para poder passar para a seguinte. Na verdade isto seria impossível devido a vastidão do Hermetismo como um todo.

     Na verdade o estudo das câmaras tem muito a ver com a inclinação pessoal. Uma pessoa pode se interessar mais pelos assuntos de uma câmara do que pelos de uma outra.

     As câmaras no estudo hermético assemelham-se aos graus de outras organizações, tais como a Maçonaria, a Ordem Rosa Cruz, a Ordem Teosofia, etc. Alguns ramos do Hermetismo em vez de usar a palavra “grau”, para indicar o nível de aprendizado do discípulo, usam o termo “câmara”. Em certos ramos oficiais do Hermetismo, entre estes a V.'.O.'.H.'., os ensinamentos são distribuídos em 12 níveis chamados de “câmaras”, e que indicam o grau de estudo hermético alcançado pela pessoa. Neste caso assemelha-se aos graus das doutrinas esotéricas, tais como Rosacrucianismo, Maçonaria, etc., mas com uma diferença, enquanto nestas organizações o que é ensinado num grau é considerado secreto para os graus anteriores, no Hermetismo não é assim, na Primeira Câmara, a pessoa pode tomar conhecimento do que é ensinado nas demais.

     Nos ensinos da V.'.O.'.H.'. o segredo não vai além do nível do zelo, pois consideras que “A sabedoria que vem de dentro não é facilmente ignorada como a que vem de fora”. “A pessoa tende a acreditar mais naquilo que criou do que naquilo que lhe disseram”

     Embora a palavra “hermético” seja usada normalmente para indicar “velado”, “secreto”, “restrito”, “proibido”, na verdade nenhum desses adjetivos é adequado para os conhecimentos do Hermetismo. O único sentido aplicável ao conhecimento hermético é o de “respeitável” ou “reservado”, isto porque se tratam de conhecimentos que devem ser respeitados porque alguns conhecimentos podem mexer com a compreensão de alguma pessoa que não esteja preparada para entendê-los bem. Por isso é desejável que antes que alguém tome ciência de determinados assuntos primeiro ele adquira um preciso embasamento a fim de não se sentir violentado pela natureza do que é afirmado, ou que, por outro lado por não entende-los os desrespeite, vulgarize, ridicularize as pessoas que os aceita.

     A pessoa pode se sentir agredida mentalmente por determinados assuntos estudados no Hermetismo quando ela ainda não está preparada para absorvê-los. Isto não acontece em se tratando de alguém que tenha um nível mental suficientemente preparado para penetrar no mérito daquilo que é ensinado.

Para a pessoa entender certos assuntos do Hermetismo é preciso que ela já haja atingido certo desenvolvimento psíquico e isto é conseguido através dos métodos usados. Revelar conhecimentos intempestivamente faz com que a pessoa não medite, não raciocine sobre eles buscando a compreensão devida, não analise detalhadamente os diversos ângulos de um conhecimento, pois é isto que faz com que. Pensando detidamente sobre um assunto a mente se torna ao entendimento, ocorre, por assim dizer, um desenvolvimento mental necessário para poder absorver outros conhecimentos mais elevados. Por esta razão é que os ramos autênticos do Hermetismo dão preferência ao ensino do tipo dedutivo, enquanto que a maioria das organizações de cunho esotérico usa mais o método indutivo. No Hermetismo a pessoa tem que ir tirando por si mesma as conclusões, ir descobrindo por si mesma a verdade, e chegando às suas próprias conclusões. Isto envolve um trabalho de amadurecimento mental pessoal diante do conhecimento tradicional, e a revelação direta de um conhecimento bloqueia essa capacidade. A pessoa toma ciência diretamente, conseqüentemente não examina o assunto detidamente e com isso perde a chance de amadurecer e abrir a compreensão para outros tópicos mais elevados.

     Grande parte dos conhecimentos herméticos não está escrita em livros e outros documentos, são conhecimentos integrantes da “egrégora” da Ordem. Neste caso é a própria pessoa que ao se ligar com ao “egrégora” os recebe diretamente. A ordem basicamente ensina uma série de princípios, mas não costuma revelar certos conhecimentos elevados diretamente, pois isto faz parte da busca pessoal. Ela transmite um manancial apreciável de informações, mas deixando sempre uma grande margem de indagações sem resposta para que a pessoa pense sobre eles e chegue às suas próprias conclusões.

     Na verdade nenhum grau é concedido pelo instrutor hermético, nenhum titulo, nenhum símbolo, nenhuma palavra de poder, nenhuma admissão aos conhecimentos plenos de uma determinada câmara, pois tudo isto está contido na “egrégora” disponível para qualquer um, desde que ele tenha o conhecimento de como se ligar aos registros. Portanto o sentido de “segredo” não existe no Hermetismo, e sim o de “reserva”.

     Há apenas a recomendação para reservar os ensinos, para administrá-los de forma a mais criteriosa possível afim de não prejudicar o acesso da pessoa ao “egrégora”. A não ser por isto não é exigido qualquer sigilo especial, exceção para um restrito numero de ensinamentos, tais como aqueles que envolvem a alquimia e a cabala. desenvolvimento da pessoa que tem interesse em se desenvolver nesses conhecimentos. Não sendo por isto não tem nenhuma importância se falar de assuntos de qualquer das câmaras para uma pessoa cujo objetivo seja apenas informativo e não formativo, no que diz respeito ao objetivo de caminhar na senda do desenvolvimento espiritual direcionado para essa área.

     Na verdade falamos de um imenso número de conhecimentos herméticos durante todos estes anos em que estamos escrevendo sobre o misticismo em geral, mas queremos dizer que tudo aquilo que dissemos diz respeito apenas ao aspecto filosófico do Hermetismo e não ao aspecto prático operativo.

     A quase totalidade dos conhecimentos sobre os quais temos redigido estes temas no passado não eram revelados diretamente não por serem segredos intrínsecos, mas por envolverem perigos para a quem falasse sobre tais assuntos. Durante muito tempo, bastaria um desses temas para o tribunal da inquisição condenar uma pessoa ao martírio da fogueira, mas como o nível de consciência de muitas nações e religiões amainou então tem sido permitida a divulgação dessa temática através de muitas pessoas suficientemente habilitadas para isto.

Mesmo que hoje haja menos perigos em se falar de certos assuntos, ainda assim no sentido prático alguns ramos do conhecimento hermético têm que manter bem guardados certas informações, por isto ao falar ou escrever sobre eles deve ser usado uma forma de linguagem muito velada. Isto só acontece quando se tratam de conhecimentos dos quais possam advir prejuízos de diversos tipos quando mal empregados, tal como acontece, por exemplo, com a alquimia, com a magia, etc..