Sobre os Que Buscam o Hermetismo

     Muitos aspectos do Monismo não serão analisados nestes temas, mas como existe a necessidade de pessoas que chegaram a determinados patamares de compreensão avançarem em certos conhecimentos, então vamos estender um tanto mais o leque de ensinamentos, pois não podemos negar-lhes o que pretendem, assim podemos orientá-los individualmente, pois quando uma pessoa busca o conhecimento mais elevado qualquer hermetista da V.'.O.'. H.'. tem o dever de instruí-lo. Muitos conhecimentos que chegamos a tomar ciência pretendemos dividi-los com o máximo de pessoas, embora mas até agora não sejam muitas as que estão devidamente credenciadas. O critério de escolha não depende de nós, mas do grau das próprias pessoas. Não são os orientadores que conferem graus de admissão aos grupos de estudos herméticos em nível de venerável e sim algo ligado à egrégora do Hermetismo.

     Temos grande desejo de poder contar com um grupo de estudos que permita penetrar num outro patamar bem mais elevado de conhecimentos, mas por enquanto temos que nos conformar em ter que esperar mais. De um total de quase duas centenas de interessados, em grupos que orientamos nos últimos dez anos de estudos herméticos, e por meio de cerca de 1600 temas escritos, até esta data apenas seis foram admitidos ao nível de membros Veneráreis da Ordem Hermética. Acreditamos que o número dos que consideramos preparados ainda é muito restrito.

     No Nordeste do Brasil, até recentemente, somente tínhamos conhecimento de 15 pessoas que chegaram a receber o símbolo sagrado da Ordem Hermética, dos quais apenas quatros foram participantes de grupos de estudos que dirigimos. Particularmente considero que mais cinco podem a qualquer momento receber psiquicamente o símbolo que confere o direito de admissão na V.'.O.'.H.'.[1] mas isto depende de vários fatores que estão além de minha visão pessoal.

     Tenho observado que, no transcorrer de mais de 20 anos à frente de grupos de estudos herméticos, a maioria dos membros acompanha os estudos simplesmente como um estado de empolgação, de descoberta do novo. Quando os integrantes de um grupo terminam de receber os ensinamentos básicos, quase nenhum deles inicia a segunda fase de preparação que consiste em por algum tempo continuar sozinhos a busca.

      Na primeira fase é transmitido o conhecimento básico, os Princípios Herméticos são apresentados, e o buscador quando está encerrando o primeiro nível chega por dedução aos princípios complementares e a algumas outras deduções relativas aos Princípios Herméticos. A partir daí ele deve caminhar sozinho por certo tempo. Se houver conseguido entrar em sintonia com a egrégora da Ordem ele continuará com a mesma inquietude de busca e o orientador pressentindo isto continua transmitindo ensinamentos complementares. O orientador apenas leva o discípulo até o portal o “templo” mas não o com ele. Esta é uma etapa que cada um tem que seguir sozinho.

     É nesta a fase de teste que se vê se o discípulo está ou não preparado. Se ele estiver ele “penetra no portal”, ou seja, continua a sua busca e o orientador sabe disto pelo interesse demonstrado. Se não está preparado ele para ali, deixa os estudos de lado, acomoda-se satisfeito com o que já pensa conhecer. É comum que alguns deles se julguem mestres, ou até mesmo orientador. Muitas organizações que se auto-intitulam de “ordens iniciáticas” surgem a partir de discípulos que não ultrapassaram o portal, mas que apoiados na base que receberam fundam organizações, etc. Outros começam a praticar alguma forma de proselitismo.

     Vale o que é dito nos Evangelhos: “Muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos”.

Pode acontecer que alguns parem “diante do portal”, que não penetrem, mas continuem ligados ao anseio de mais conhecimentos preliminares. A estes o orientador pode ampliar um pouco mais o horizonte do conhecimento hermético visando despertar o interesse deles em prosseguir e atravessar o portal.

     No passado, nas Escolas Iniciáticas, após o conhecimento básico o discípulo, era considerado apenas um “buscador”. Ao completar a primeira etapa era levado ao Portal do Templo onde deveria penetrar sozinho para cumprir algumas “provas”. Depois se seguia uma outra fase em que o buscador por um período de três anos ficava afastado dos ensinamentos do templo. Nessa fase, alguns escolhiam o isolamento em algum lugar, muitos iam para o deserto, mas a maioria preferia caminhar de cidade em cidade sem contacto com os orientadores, enfrentando as vicissitudes, enfrentando as “tentações da vida”. Por caminhar de lugar para lugar eram chamados de “peregrinos”.

     As Ordens Tradicionais se adaptam às épocas; hoje os estudos herméticos não ocorrem em templos, eles podem ser feitos em muitos lugares. Muitas vezes o buscador não conta nem sequer com um orientador próximo, pois a busca solitária também é válida. Mas, geralmente acontece como no ditado: “Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”. De alguma forma, em decorrência da ligação que o discípulo estabelece com a egrégora hermética, de uma forma ou de outra ele acaba localizando um orientador sem que precise sair procurando, pois a ocasião se apresenta. A  V.'.O.'.H.'. não atribui o título de Mestre àqueles que  preparam os discípulos, pois segundo os ensinamentos arcanos o Mestre Hermético é a própria egrégora.

     Na egrégora está registrado tudo aquilo que diz respeito à Ordem, e isto faz com que o buscador, sem que se dê conta disto, acabe por localizar alguma pessoa que posas lhe servir de orientador, de lhe preparar para que possa receber o conhecimento diretamente da Fonte.

     Muitas vezes as coisas acontecem de forma inusitada. Por exemplo, acontece que um buscador que vive em um lugar onde não possa contar com um orientador, sinta vontade de ser mudar para uma outra cidade. Ele mesmo nem sabe por que está querendo se mudar de uma cidade para outra, até mesmo de um país para outro, movido ou não por diferentes razões. Isto acontece amiúde porque o buscador está sendo conduzido ao encontro de um orientador. No passado, a pessoa tinha que buscar um templo, que podia ser perto ou distante. Na atualidade a busca de conhecimento leva a pessoa a um orientador, a alguém que pode instruí-la, até mesmo numa praça pública.

     No passado após o buscador haver assimilado os conhecimentos básicos ele se retirava do templo e ia para um lugar solitário, até mesmo para o deserto, ou, peregrinava durante um determinado período de tempo. Durante aquele período ele não recebia ensinamentos diretos, mas os recebia mentalmente, vezes sob a forma de “descobertas pessoais”, vezes sem que o soubesse “encontrava pessoas comuns” com as quais conversava e aprendia muitas coisas “novas”. Esse era o período de peregrinação, daí o título que a pessoa recebia: “Peregrino da Senda”.

     Hoje, em essência, tudo permanece como antes, é oferecida à pessoa a oportunidade de estudar o Hermetismo. Para isto sempre surge alguma oportunidade desde que a pessoa tenha um mínimo de preparo e de interesse sincero. Acontece que ao integrar um grupo muitos são movidos por vários tipos de interesse, assim nem todos chegam ao fim da primeira etapa, nem todos conseguem chegar ao fim daquilo que pode ser chamado de “primeiro grau” e receber o título de “Peregrino da Senda”. Alguns permanecem, cumpre a primeira fase quando então o grupo é desfeito. Ai começa a fase em que o discípulo tem que peregrinar sozinho, isto é volta a suas atividades normais, a atuar em sua religião ou em outros movimentos. Esta etapa é aquela representada na “Iniciação do duplo caminho” (Tema 0.424) também popularmente conhecida como a “iniciação do Y”. È ai que ele tem diante de si dois caminhos distintos, o do mundo do conhecimento superior, e o da vida comum. Esta situação está simbolicamente representada na iniciação do duplo caminho.

 

 

 

 

 

     Em nenhum momento é perguntado ao Buscador ou ao Peregrino se eles querem continuar. Se o fosse por certo diriam sim. Prosseguir  é uma decisão pessoal e muito sutil, mas que todos os buscadores vivenciam. A quase totalidade escolhe o caminho oposto ao do conhecimento, escolhem exatamente a “via da acomodação”. Acomodam-se naquilo que estava antes, continuam fazendo o que sempre fizeram, apenas com um pouco mais de conhecimento, mas não de sabedoria, ou, o que é mais  lastimável é que passam a usar o conhecimento em proveito egoístico e não maléficos.

 

 

 

[1] Estas iniciais indicam o nome da Ordem Hermética para os paises de língua portuguesa. Em paises de outros idiomas nem sempre são as mesmas letras, pois na verdade cada letra corresponde a um símbolo, assim ela se apresenta como três símbolos, cada um deles representando aquilo que cada letra significa. 

© 2016 José Laércio do Egito. Criado e mantido por Filipe Lima.