Estudo das Câmaras Herméticas   

 

     Na Primeira câmara a pessoa toma ciência dos princípios e das condições que regem o mundo, especialmente sobre a natureza mental. Isso não é fácil e nem acontece instantaneamente; se faz necessário um amadurecimento progressivo, estabelecimento de um questionamento sobre a natureza de tudo quanto existe. Requer anos de exame, de elucubrações parcimoniosas para se chegar a entender a natureza mental do mundo que se nos parece tão objetivo.

É na Primeira Câmara que se tem ciência dos sete níveis da creaçao, os chamados Princípios Herméticos e também os sete níveis de como Deus se faz sentir na creaçao. Nesse nível se tem contacto com os princípios básicos da Cabala e também perceber os planos da ilusão da creaçao mental do Mundo Imanente.

 

     Na Segunda Câmara o discípulo toma ciência de que vive cercado de códigos que estabelecem os escrúpulos e conceitos de errado e certo estabelecidos pela sociedade, pela família, pelas doutrinas filosóficas e religiosas, e por si mesmo.  Ele tem que chegar à conclusão de que vive mergulhado num oceano de preconceitos. Aprende a separar o significado das Leis de Deus e das leis dos homens. Estudo o real sentido de pecado e muito especialmente o de Carma. É na Segunda Câmara que se tem ciência dos Códigos e das 12 Câmaras de Desenvolvimento Espiritual.

 

     Na Terceira Câmara é feito um estudo básico visando mostrar o que é a Mente e o que é a Consciência. Mostra com precisão aquilo que é do âmbito da Mente e o que pertence à Consciência. Isso é importante, pois, se o mundo é um artifício mental, é imprescindível que se tenha ciência do que seja a Mente, e especialmente do julgo que ela impõe ao ser. Sentir que é um prisioneiro do jugo da mente. Entender que dentro do Mundo Imanente não se pode destruir a mente sem que se destrua a existência. Por exemplo, é impossível uma pessoa viver sem pensar, sem imaginar, sem comparar, sem associais, e assim com todos os elementos constituinte da Mente. O que ele tem que fazer é não ser um escravo desse e de outros elementos.  Estuda sucintamente tudo aquilo que a integra especialmente percepção e pensamento.

 

     Na Quarta Câmara se trabalha com distintas formas de energia. Naturalmente estudar energia é estudar todas as ciências, estudar o Universo desde o Micro até o Macrocosmo, pois que tudo quanto há depende dela. Sendo assim o estudo conduz a pessoa apenas a ter vislumbres de muitos aspectos da energia, especialmente aqueles não considerados pela ciência oficial. Um estudo mais amplo e acurado, em decorrência da vastidão da temática, evidentemente é impraticável, portanto essa câmara focaliza apenas o entendimento básico do papel da energia em muitos campos e especialmente no biológico. Examina-se como ela se apresenta, e como atua, como pode ser adquirida, conservada, eliminada, e especialmente o como pode ser direcionada. Cabe nessa câmara entender que o ser vivo em geral, e o humano em particular, depende diretamente da energia, e que todos os processos, desde o nível intelectual ao físico, dependem dela.

     A Quarta é uma câmara em que é revelado que o universo é predador, que existe uma competição ferrenha entre muitas estirpes de seres em torno de captação de energia. Analogicamente podemos dizer que a “moeda” imperante no Universo em todos os níveis é energia. No mundo das relações humanas, a moeda pode ser dólar, Libra, ou Euro, mas no universo é a energia. Se a economia pecuniária dita as regras no plano social, a energia dita as regras do universo.  

     Sem energia não podem existir manifestações da vida quer seja em nível orgânico quer inorgânico, e existe uma luta competitiva em sua busca. No plano biológico há uma tremenda competição envolvendo a chamada cadeia alimentar. O mesmo acontece no universal, existe uma cadeia competitiva em torno de energia. É um mundo de competição, são formas de existência sugando, parasitando outras. Isso pode ser visto até mesmo no plano físico em que pode ser reduzido a interações competitivas em torno de energia, isso vai desde as interações atômicas no intimo das partículas, até níveis elevados como os “buracos negros” ; refletem-se na Termodinâmica e no processo da entropia no Universo, que em essência não são mais do que meras manifestações de competição energética.

Não bastasse tudo o que foi dito a respeito da luta por energia, podemos ainda afirmar que somos seres cativos do processo de captação, que, como seres biológicos, nos não estamos à margem do processo de vampirismo, e que na verdade também somos um dos elos da cadeia alimentar energética configurada no mundo. Isso nos leva ao entendimento de que somos escravos e que não somos livres. Temos que entender o que se passa em nível de interações entre todos os seres do Mundo Imanente, por isso o quanto é importante que se tome ciência da necessidade premente de sabermos como nos abastecer de energia, como contar com elevado índice de energia refletido como poder pessoal, único meio para que possamos um dia nos tornar seres livres.

     É na Quarta Câmara que se estudam as várias categorias de “sugadores de energia” e os meios que permitem percebe-los, e evitar a ação predatória deles.

     No filme Matrix é dito que o ser humano exerce o papel de “pilhas elétricas”, destinadas ao abastecimento energético dos mentores do Mundo de Matrix; isso de fato reflete uma verdade.

     No mundo biológico a energia flui sobre muitos aspectos, sendo, talvez, o mais importante deles aquele ligado ao sexo. Por isso, o estudo da Quarta Câmara envolve toda magia sexual, em especial aspectos do Tantrismo. O estudo da chamada magia sexual, é um dos capítulos que tem imensa importância no processo energético que envolve os seres biológicos.

     O objetivo do estudo de Quarta Câmara, mais do que descrever as manipulações energéticas, visa fazer com que a pessoa possa acumular energia sutil importante para todas as aplicações possíveis, sendo a principal delas a capacidade de libertá-la a pessoa do mundo predador em que vive. Não existe outro meio para a libertação a não ser ter energia.

     A Segunda Câmara, de certo modo, afasta a pessoa de conceitos de errado e de certo, de não fazer ou fazer determinadas coisas, mas apenas como. Na Quarta Câmara se dá o inverso, a maioria daquilo que é praticado como código determinado pela moral e pela ética estabelecidas pelas religiões passa a ser praticado, por com bases lógicas que nada tem a ver com proibições.

     A Quinta Câmara de estudos Herméticos tem o nome de Câmara da Libertação, nome decorrente do fato de que somente aquele que chegou a esse nível tem condições de se libertar do jugo da ilusão do mundo. Contudo, não basta chegar nessa Câmara em nível do intelecto, mas sim em nível da vivencia. O que foi estudado na Quarta Câmara precisa ser posto em prática.

     A Quinta Câmara diz respeito à criação mental. Chegando nela, a pessoa deve ter um grande reserva de energia e especialmente aprender a manipulá-la. Não adianta muito chegar a Quinta Câmara sem ter a capacidade de manipular a energia. É essa capacidade que faculta o ser a se libertar do mundo predador, por isso a Quinta Câmara é denominada de Câmara da Libertação. Estuda a manipulação da energia .

     Todos os processos que ocorrem no mundo em essência são ilusões, mas em toda ilusão há um substrato e isso é o que a torna algo muito mais efetivo do que uma imaginação. O mundo não é uma imaginação, ele é sim uma ilusão e como tal tem um substrato, mesmo que seja imaterial. É a energia quem controla tudo dentro do processo da ilusão.

     Tudo dentro do mundo imanente – ilusão – para ser obtido requer apenas 4 elementos fundamentais: Intencionalidade, concentração mental, visualização mental e energia. Isso vai desde toda a magia, toda alquimia, mentalismo e muito mais. Coisa alguma se consegue sem que se tenha energia. Assim, nas praticas de alquimia, de magia, do mentalismo, etc. sistematicamente requerem energia. Tudo isso pode se fazer sentir de forma aleatória, sem que a pessoa tenha o domínio da situação, sem conhecimento de causa. São fenômenos que acontecem naturalmente. Mas é a energia quem dá o poder pessoal, por isso a pessoa que sabe e quer agir com conhecimento de causa, vive permanentemente buscando ampliar o seu gradiente de energia.

Podemos dizer que é a Quarta Câmara quem fornece os meios para o incremento energético que vai ser fundamental nas práticas da Quinta. Sem os frutos colhidos na Quarta Câmara, a Quinta apenas serve como conhecimento sem aplicação alguma, o que pode levar a pessoa a duvidar dos ensinos desta câmara. Podemos dizer que a rigor somente aquele que haja adquirido poder pessoal, disponibilidade abundante de energia merece ser admitido a Quinta Câmara, do contrário apenas será um curioso em busca de informações.

      Outro alvo muito importante da Quinta Câmara é o domínio do sonhar. O estudo do sonhar começa na Quarta Câmara e se aprofunda na Quinta.

      O alvo básico da Quinta Câmara é a “criação mental”, quer seja ao nível do micro até o nível do macro. É a essa câmara quem conduz o ser à condição de creador, condição essencial para ele se libertar do domínio da ilusão de mundo, da multiplicidade, e da descontinuidade.

     O estudo da Quinta Câmara deve ser iniciado com um aprofundamento do conhecimento da natureza do mundo, com ênfase para o aspecto virtual de toda a existência aceita como realidade pelos não iniciados.

 

© 2016 José Laércio do Egito. Criado e mantido por Filipe Lima.