As Sete Câmaras Herméticas

 

O segredo mantido pelas organizações religiosas, místicas e esotéricas, basicamente se deve a dois fatores. Um diz respeito ao obscurantismo dominante em muitos períodos da história que agiu com mão de ferro contra todas as formas de conhecimento. O “terceiro interesse” configurado pelo poder das trevas sempre induziu perseguições contra a verdade, pois ela reina sobre a mentira. Uma outra razão é que alguns princípios estudados levam perigos se usados por pessoas, ou por civilizações inescrupulosas. Por esta razão no Egito Antigo existiram as “Escolas de Mistérios”, instituições de ensinos controlados pelos mentores do desenvolvimento da humanidade.

 

Neste contexto podemos dizer que hoje não existe outra razão para os Princípios Herméticos serem mantidos em sigilo, a não ser como uma forma de descoberta pessoal, como exercício de desenvolvimento mental capaz de abrir a mente a compreensões mais elevadas.

 

O trabalho místico sobre os Princípios Herméticos é estabelecido em torno de sete princípios bem divulgados e mais cinco condições não claramente citados e relacionados, sem as quais é impossível a manifestação dos sete básicos. Assim falam de doze pricipios e não apenas de sete. De inicio o discípulo pode indagar do porquê do número doze. Na verdade vamos encontrar resposta para essa indagação na própria natureza da creação. Conforme a Cabala esquematiza, existem 4 planos de criação distintos, porém interligados. Em outras palavras, a creação se processou em 4 níveis: Nível da emanação, nível, nível da creação,  nível da formação, e nível da manifestação, cujos nomes hebraicos são respectivamente. Atzilut, Berihat, Yezirah e Asyah[1].

 

Todos os processos da creação e existência do mundo imanente estão contidos nesses planos, conseqüentemente os Princípios Herméticos que compõem a natureza deste mundo, com todas as suas leis regentes, devem estar presentes. A fig.1 representa os 4 níveis da creação. A natureza trina da creação faz com que cada nível seja regido por três grandes princípios, totalizando assim o numero doze.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1

 

O Hermetismo usa mais a forma dedutiva de ensino, por isto é o discípulo após conhecer um tanto sobre os Princípios deve estabelecer um grande número de relações com o Mundo Imanente. Ao orientador cabe fazer as proposições clássicas ao discípulo, pois no Hermetismo a mente não deve parar de analisar e de estabelecer relações e chegar a novas conclusões.

 

 O discípulo após atingir um determinado patamar, deve ter formado certa base cabalística e é nesse patamar que ele pode descobrir muitas relações.

 

Etapas do aprendizado:

 

  • Quais são os doze Princípios?

  • Qual dos doze Princípios não é um principio. Por quê?

  • Qual o Princípio que indica não ser verdadeiro. Por quê?

  • Qual é o Principio Fundamental?

  • A qual Nível da Creação cada um dos Princípios está mais relacionado. Por quê?

 

Durante o período do cativeiro do povo hebreu no Egito muitos ensinamentos de Thoth foram incorporados á cultura e religião hebraica. Assim os hebreus incorporaram ensinamentos relacionados com os Princípios Herméticos expressos na Cabala Judaica. Os cabalistas judeus atribuíram uma das letras mudas do hebraico para representar as câmaras correspondentes aos Princípios Herméticos. Conhecendo as propriedades do alfabeto hebraico o hermetista sabe qual a letra correspondente a qualquer um dos princípios e isso o conduz a muitos ensinamentos velados.

 

Os Princípios também representam as doze constelações zodiacais, conseqüentemente cada um deles se relaciona com um dos doze meses do ano.

 

  • A qual signo zodiacal cada Princípio está mais ligado. Por quê?

 

No Antigo Egito existiu um templo sagrado chamado de O Templo da Esfinge, cada uma das câmaras correspondia a um dos Princípios e cada uma delas guardava um número imenso de papiros contendo os ensinamentos de um Principio. Na entrada de cada câmara existia um símbolo, um hieróglifo indicativo de uma palavra[2], e uma cor distinta.

 

No passado o discípulo era fisicamente levado a estudar no templo, onde, na medida em que progredia em seus estudos, ele ia tendo ciência dos segredos e mistérios de cada câmara.

 

O desenho gravado acima da porta de cada câmara - santuário - tinha o poder mágico de se manifestar na mente do buscador em momentos precisos. A tradução do hieróglifo significava então, como ainda significa no presente, uma palavra cujo sentido serve como passe indicativo do grau alcançado pelo Neófito.

 

Com a decadência da civilização egípcia o templo foi sendo soterrado, foi perdendo o papel de “Escola de Mistérios”, contudo afirma-se que até hoje as câmaras com todo o seu conteúdo ainda existem. As ruínas soterradas do Templo ainda conservam intactos todos os seus segredos, assim como as Tabuas de Esmeraldas lá se encontram guardadas.

 

Embora na atualidade o templo não seja mais visitado fisicamente ainda assim ele é permanentemente visitado psiquicamente pelos discípulos de elevado grau dos autênticos ramos da Ordem Hermética. Como tudo quanto existe tem o seu duplo a nível astral, o Templo da Esfinge não faz exceção, ele existe a nível astral e pode ser visitado psiquicamente tal como acontecia fisicamente no Antigo Egito. Normalmente é a réplica astral do templo que atualmente é “visitada” pelos “Peregrinos da Senda” em nível psíquico. O acesso pode ser concedido por meio da palavra de passe de cada grau, mas também pode ocorrer de forma espontânea. Hoje o discípulo dedicado ao estudo do Hermetismo, em determinado momento recebe, vê o símbolo que lhe será muito útil na busca espiritual e mesmo na vida prática. Além deste símbolo ele pode receber outros daqueles símbolos dos portais das câmaras.

Nenhum ser humano, nenhum instrutor, nenhum venerável, nenhum mestre pode conferir o direito de acesso às câmaras, especialmente porque se trata de uma réplica em nível não material. No máximo eles podem ser “facilitadores”, instrutores. No passado a caminhada pelos corredores do templo era individual. Hoje é a Egrégora da Ordem Hermética quem libera os símbolos de grau dentro da Hierarquia.

 

As 12 câmaras também servem de indicação para o nível de desenvolvimento e de evolução espiritual. Neste caso a expressão mais comum é “As Doze Câmeras de Amenti”.

 

 

 

[1] Vide temas  062 - 063

[2]  Afirma-se que a palavra estava grafada não só em hieróglifo, como também em noutros alfabetos, tais como o Malachim, o alfabeto Celestial. Posteriormente também em Hebraico. Não podemos afirmar isto com convicção, O Alfabeto Celestial e o Malachim são formas de escrita de uma antiguidade imensa, com certeza precede a raça Atlanta. O alfabeto Malachim tornou-se conhecido no Ocidente através de Agrippa, no livro III, Capitulo XXX de sua obra “Occult Philosophy”. Segundo Agrippa o nome quer dizer “dos Anjos ou Regal”. Como o Alfabeto celestial ele é baseado em 22 letras.