“O espírito nos une, o corpo nos separa”. Arthur veloso

O Princípio da Correspondência

 

De todos os Princípios  Herméticos o da Correspondência é o mais citado:

“O QUE ESTÁ EM CIMA É COMO O QUE ESTÁ EMBAIXO, E O QUE ESTÁ EMBAIXO É COMO O QUE ESTÁ EM CIMA”.

 

No Cosmos tudo o que existe em um nível tem o seu homólogo em outros níveis. Não existe algo isolado, fora ou dentro da creação.

 

A Creação é uma objetivização da Mente Cósmica. O Poder Superior, como Absoluto, polariza-se,  projeta-se,  expande-se, e a expansão corresponde precisamente à Creação. Nisso reside o primeiro nível de Correspondência.

 

Tudo aquilo que existe na Creação tem o seu homólogo em todos os planos superiores, a partir da própria Mente Cósmica. Até mesmo na Consciência Cósmica já existe potencialmente todo o modelo da Creação. Por mais amplo que seja um sistema, ou, por mais insignificante que seja uma determinada coisa, por certo ela tem correspondência na Mente Cósmica.

 

O Universo, com tudo aquilo que nele existe, é uma projeção da Mente Cósmica, tal como o Poder Creador é o lado descontinuo do continuo.

 

Dentro da Creação quase tudo é vibração, por isso  pode-se dizer que o Universo é vibratório, e a vibração é inerente à natureza sétupla representada na “Árvore da Vida”. Tal  como na escala musical, em que só existem sete  notas possíveis, sete notas agrupadas em oitavas perfazem a totalidade das vibrações – Teclado Cósmico. Uma escala musical é constituída por  sete notas que se unem compondo uma oitava que pode ser agrupada e formar como que uma escada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ilustração 1

 

No “Teclado Cósmico”, cada oitava pode constituir um mundo, um plano, uma coisa qualquer. Todas as formas existentes no Universo sempre estão interligadas. A Vibração é o que individualiza as coisas e a Correspondência é o que une. As notas se repetem de oitava em oitava. Qualquer nota de uma oitava tem a sua correspondente nas demais oitavas.

 

Tudo pode ser representado pela “Árvore da Vida” e aquilo  contido numa oitava tem correspondência nas demais oitavas que constituem a “Escada”, isso é o que significa o Princípio da Correspondência.

 

Segundo as leis da Mecânica Ondulatória, qualquer nota ressoa ao longo de toda a escala segundo determinada relação; isso é uma decorrência do Princípio da Correspondência. Em qualquer oitava acima ou abaixo no “teclado” as notas se repetem, isto é, cada nota tem uma homóloga. Assim como é na oitava de baixo é também na oitava de cima, pois tudo apenas se repete, em um outro nível, diferindo apenas na freqüência vibratória.

Também a harmonia musical – vibratória – é uma decorrência do Princípio da Correspondência. Na escala das vibrações há notas ressonantes harmônicas e notas ressonantes desarmônicas. Isso é estudado na música; sabe-se que existem notas que se combinam harmonicamente e notas que não se combinam. Por exemplo: as notas mi - sol - si formam um acorde harmônico;  ré - fá - lá, outro. Vejam que as notas harmônicas estão em um mesmo pilar – lado – da “Árvore da Vida”, o que faz ver que a harmonia musical não ocorre por acaso, é algo inerente à constituição da própria natureza.

 

Pela “Árvore” se pode ver que o “dó” inferior (Malkut) tem sua réplica no início da oitava seguinte (Kether), portanto: “Assim como é em baixo é também em cima”. Se Malkut  representar o homem material Kether representará Deus, e vice-versa, portanto, o homem no  Mundo Imanente, de certa forma, é a própria imagem de Deus.

 

Como temos mostrado em nossos temas, o Universo é constituído por vibrações de um princípio primordial – MA – ordenadas numa escala colossal em que as oitavas se repetem numa imensa sucessão formando uma fantástica “escada”. As vibrações se manifestam formando tudo quanto há, constituindo não só as coisas materiais existentes, mas também outros planos distintos. Não se trata de uma escada linear, de uma escala simples, pois, como já dissemos em outras palestras, cada nota de uma oitava – Ilustração 1 – pode se constituir por si mesma uma oitava completa (Cada sephirah de uma “árvore” pode “conter”uma “árvore” secundária e assim sucessivamente).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ilustração 2

 

O Universo basicamente é constituído por três amplos planos que podem ser representados por “Árvores da Vida”. Esses planos recebem denominações próprias em algumas doutrinas:

 

1 - ASTRAL INFERIOR;               2 - ASTRAL RESPLANDECENTE;             3 - ASTRAL SUPERIOR

 

1 - GRANDE PLANO FÍSICO;       2 GRANDE PLANO MENTAL;        3 GRANDE PLANO ESPIRITUAL

 

1 – BERIAH;                                            2 YETZIRAH ;                                             3 ASSYAH

 

Tudo o que existe num plano também existe nos demais, segundo o Princípio da Correspondência. Por exemplo: tudo o que existe no Grande Plano Físico também existe no Grande Plano Mental e no Grande Plano Espiritual. A única diferença diz respeito apenas à “densidade”. Como os níveis de vibração diferem muito de um plano para outro, naturalmente a réplica de algo num plano superior apresenta-se com um aspecto bem mais atenuado que aquele do plano imediatamente inferior. Comparativamente se pode ver que uma estrutura material do mundo denso tem a sua réplica no plano astral mais tênue, por isso, via de regra, ela não é facilmente visível.

 

É o Princípio da Correspondência que permite se intervir sobre uma estrutura densa a partir da sua réplica no plano astral. Qualquer modificação que se processe em um plano se reflete em todos os demais, por isso se diz que qualquer ato afeta todo o Universo[1]. Muitos trabalhos de magia são praticados a partir de interferências nas réplicas presentes no “astral”, tanto em um sentido quanto no outro.

 

Dizem as “lendas” e “mitos” que os duendes, as fadas, e outros elementais protegem a Natureza. Na realidade eles são seres cuja linhagem chega somente ao plano astral. Suas ações ocorrem a partir das réplicas existentes naquele plano, portanto, trata-se de um processo baseado no Princípio da Correspondência.

 

O Princípio da Correspondência é função do efeito de ressonância inerente ao Princípio da Vibração. Quando uma corda de um piano é percutida, provocando um som, todas as notas correspondentes – ressonantes – também vibram e provocam os sons correspondentes, mas, vale notar que, a intensidade do som será progressivamente atenuada. A ressonância é tanto mais intensa quanto mais próxima estiver da nota básica. Em um piano, se uma tecla de um extremo for percutida fazendo vibrar uma corda, muitas outras cordas ao longo do teclado também vibrarão, porém os sons correspondentes serão tanto menos intensos quanto mais afastada se situar a corda daquela que inicialmente foi percutida.

 

Conforme se pode perceber pela ilustração 2, todas as notas se desdobram em 7 outras e assim sucessivamente. Esse processo tente ao Infinito. O mesmo acontece não somente com as notas musicais, mas com tudo o que vibra. Isso é o que permite que existam outros planos além deste que conhecemos, denominado de plano material. Assim, no plano da matéria podemos situar os reinos da natureza, sendo os três mais conhecidos: o reino mineral, o vegetal e o animal. Podemos afirmar que tal como esses reinos existem no mundo material eles têm réplicas nos demais planos. O que estamos dizendo é significativo porque é importante a pessoa conhecer todos os seus harmônicos para poder compreender certas percepções inusuais; possa saber que muitas vezes uma percepção não pertence ao plano material e sim a outro, evitando ocasionais equívocos de interpretação.

 

Já dissemos em uma palestra anterior que muitas vezes a pessoa encontra algo pela qual  sente grande atração, sem motivo plausível; na realidade isso é devido ao Princípio da Correspondência. Muitas vezes é uma pedrinha que atrai a atenção, pegamo-la e ficamos muito tempo com ela nas mãos e até mesmo podemos ter algum tipo de impressão sensorial. Isso é devido à Correspondência. Quando isso acontece  com grande intensidade, e a sensação for prazerosa, é bom guardar aquela pedrinha, até mesmo mantê-la em contacto físico, pois as vibrações dela podem harmonizar aquela pessoa. Por outro lado, se a sensação for de desconforto ela deve ser descartada o mais breve possível.

 

A empatia, a atração entre pessoas, ou seja, a afinidade tem muito a ver com o Princípio da Correspondência. O entendimento desse princípio facilita muito as coisas do dia a dia; pode, inclusive, condicionar um viver melhor. Pode condicionar uma união conjugal mais duradoura e harmônica por ter como companheira (o) uma pessoa que vibra em harmonia. Pode condicionar uma vida mais feliz, um melhor repousar, dormir, permanecer, residir, etc. num lugar harmônico.

 

Veremos em tema ulterior, quando falarmos da energia sutil,   que a pessoa pode aumentar suas reservas a partir de um vegetal, ou mesmo de um mineral. Com essa finalidade existe um exercício que consiste em colocar a coluna vertebral em contacto com uma rocha, ou com uma árvore, para angariar energia. Podemos acrescentar que o vegetal, ou a rocha, deve ser harmônica com a pessoa.

 

No reino animal uma pessoa pode ter afinidade com algum animal em especial, mas às vezes é com uma espécie inteira. É comum algumas pessoas terem afinidades com determinado tipo de animal tais como gatos, enquanto outras podem ter com cachorros, outras com peixes, outras com determinados tipos de pássaros, e até mesmo com serpentes. O mesmo acontece em relação ao reino vegetal, existem lavradores que até mesmo não sabem o porquê de preferirem determinadas culturas independentemente do lado lucrativo. O mesmo se pode dizer da afinidade das pessoas com determinados minerais, especialmente com as pedras; uns ficam encantados com o rubi, outros com ametista, outro com água-marinha e assim por diante. Baseada nisso, a pessoa deve procurar sempre que for possível se acercar das coisas afins, pois estas tendo ressonância harmônica com a pessoa por certo vão lhe facilitar o viver.

 

O Princípio da Correspondência é o resultado da ressonância vibratória, portanto é uma decorrência da própria  Vibração que constitui o Universo. Por esta razão não é fácil mudar o grau de afinidade entre pessoas e coisas, a não ser quando o adepto sabe como alterar sua própria vibração, pois somente assim ele pode manter a sintonia com coisas diferentes. Modificando a sua vibração básica ele passa a ser harmônico com outras freqüências que antes lhe eram desarmônicas.

 

 

 

[1] Efeito Borboleta