“Perdoa a criança que se perde em devaneios nos seus brinquedos sem se aperceber de ti que os fabrica para ela” (VELOSO, Arthur)

Os Ritmos da Vida

 

O ritmo é inerente à criação, pois em todas as coisas criadas ele está presente, assim como todos os demais Princípios Herméticos. Coisa alguma existe que não tenha um ritmo e ao mesmo tempo em que não seja influenciado pelos inúmeros ritmos existentes no Universo.

           

Seria impossível a existência de um universo criado a partir de uma outra condição (o Nada) sem que houvesse ritmo, pois a própria condição de uma mudança do imanifestável para o manifestável, isto é, do Nada para a Criação já seria uma forma de ritmo. Mesmo admitindo-se uma hipótese improvável de que este universo se perpetue, até mesmo assim o ritmo existe, pois o não existir e o existir já se constituem um ritmo embora que compreendendo apenas uma  só fase.

           

Toda a criação está sujeita a um número imenso de ritmos. Cada coisa tem ritmos próprios e muitos ritmos sofrem interferências de outros ritmos num inter-relacionamento bem acentuado. Por exemplo, o organismo tem seus ritmos próprios mas por outro lado ele está sujeito aos ritmos da natureza exterior. A lunação, por exemplo, não é um ritmo do indivíduo e sim da natureza, mas ele exerce influência muito grande sobre os organismos, inclusive gerando ritmos orgânicos. Assim também ocorre com relação a outros ritmos.

           

Pode-se pensar assim, neste caso existe um destino inexorável, uma predestinação à qual a pessoa sempre está sujeita. Na verdade não é assim., essencialmente existe um destino pois tudo dentro da criação é relativo e sendo relativo já se pode sentir que a ausência de destino seria a não relatividade das coisas. Uma coisa desde que seja relativa à outra já está limitada e um tanto dominada, condicionada, ou mesmo controlada por outra. Dentro desse principio todas as coisas do universo são relativas e interdependentes, logo uma limitando à outra a que equivale a dizer que há certo nível de determinismo atuando sobre as cosias. Realmente é assim, não existe um livre arbítrio absoluto dentro da criação. Somente ao nível de Infinito é que pode existir um livre arbítrio absoluto pois lá não existindo os princípios herméticos a relatividade entre coisas inexiste também porque inexistem coisas para serem relativas entre elas.

           

Dentro da criação, mesmo existindo um acentuado nível de determinismo, condicionado pelos princípios herméticos, ainda assim há uma vasta possibilidade de livre arbítrio relativo.

           

Todos os Princípios Herméticos têm suas leis e desde que a pessoa às conheça elas podem ser utilizadas de inúmeras maneiras e isso permite uma vasta gama de possibilidades para o exercício da livre escolha pessoal. Podemos dizer que é pelas múltiplas possibilidades do uso dos Princípios Herméticos que a pessoa traça o seu próprio destino, faz uso do exercício livre de escolha entre inúmeras alternativas.

           

Para que a pessoa possa fugir de grande parte do destino, ela deve conhecer bem os princípios herméticos e usá-los com consciência para melhor viver, para não ser vítima do cumprimento inexorável das leis da natureza. Não se podem contrariar as leis mas podem-se usar uma lei maior para compensar uma menor. Os Princípios Herméticos são as mais elevadas leis do Universo e com elas pode-se mudar o sentido de qualquer acontecimento ditado por leis menores.

           

Nesta palestra estamos abordando o Principio do Ritmo e vamos citar uma serie de condições ligadas a esse principio que atuam de forma marcante sobre todas as pessoas e, se estas desconhecerem os princípios básicos, por certo terão uma vida muito limitada, serão um tanto cativas das leis que agem sobre elas.

           

Na palestra anterior mostramos os princípios dos Biorritmos Primários e a maneira de calculá-los. Calculando-se os biorritmos e usando-os de forma adequada a pessoa já pode deixar de ser conduzida para conduzir, pode deixar de ser um autômato e tornar-se senhor de muitas coisas que estão sujeitas a acontecer. Com o conhecimento das leis a pessoa deixa de ser um joguete das leis que parecem inexoráveis. Agir contra as leis da natureza é como que remar contra a maré.

           

Vimos que pelos biorritmos podem-se saber quais os dias adequados para determinadas funções, saber e até mesmo escolher o sexo e o estado de saúde física e mental dos filhos que venham a nascer.

           

Na palestra 344 citamos a regência dos três ritmos[1] sobre diversas funções do organismo, assim sendo a pessoa poderá, em vez de viver a mercê dessas leis, comandarem os acontecimentos, deixar de ser vítima e ser beneficiado.

           

Os ritmos que influenciam a vida da pessoa muitos deles estão fora do organismo e vale saber conhecê-los e utilizá-los. Muitos ritmos são obedecidos e utilizados de forma instintiva, intuitiva, de uma forma tanto ou quanto aleatória, e outro de forma correta mas sem consciência clara daquilo que está operando.

           

Os madeireiros, por exemplo, sabem em que fase da lua deve cortar a madeira; os médicos sabem a fase de fecundidade da mulher e assim como facilitar a gestação ou mesmo evitá-la. Intuitivamente o agricultor sabe quando deve plantar do contrário ele por certo perderia a semente plantada. Por outro lado existe um número bem grande de princípios que o profano desconhece e por isso deixa de utilizá-los evidentemente. Desconhece porque não os associa com acontecimentos do dia a dia. Muitas vezes desconhecê-los porque são princípios sutis que não determinam condições suficientemente intensas para serem facilmente percebidas mas que mesmo assim têm importância imensa na vida das pessoas.

           

Nas duas palestras anteriores analisamos sucintamente os biorritmos primários, mas queremos salientar que o organismo não está sujeito apenas aqueles três ritmos. Os biorritmos citados são de natureza interna pois estão relacionados basicamente às glândulas de secreção interna. Pela acentuada influência que apresentam sobre a vida orgânica eles são considerados Biorritmos Primários, mas além deles existem outros (Biorritmos Secundários). Há alguns ritmos externos que exercem grande influência sobre a vida da pessoa e que promovem modificações sobre os biorritmos primários. Existem muitos, mas vamos nos reportar nas palestras seguintes aos principais.

           

Primeiramente queremos esclarecer melhor o que é um ritmo interno e externo. Interno é um ritmo que existe primariamente inerente ao organismo, que não existe fora dele. O ritmo cardíaco, o ritmo menstrual, e tantos outros, não são ritmos da natureza exterior e sim interior. Enquanto isso a lunação é um ritmo exterior. Os ritmos internos não interferem sobre os ritmos exteriores, mas estes interferem nos ritmos internos.

           

Queremos salientar que existem ritmos naturais e artificiais. Naturais são os da natureza e aqueles inerentes ao organismo mas que não depende do querer individual. Não é o querer da pessoa que faz com que o coração tenha um ritmo, ou que a lua tenha um ritmo e assim por diante. Mas uma pessoa pode criar um ritmos, por exemplo dormir numa determinada hora, atender suas necessidades íntimas segundo um ritmo. Este é um ritmo artificial. A maior parte do ritmos naturais são modificáveis, outros somente com imensa dificuldade podem ser modificados, enquanto os artificiais são facilmente modificáveis.

           

Os orientais chegam a detalhes de ritmos de curtíssimo tempo ligados a algumas condições genericamente denominadas de Tatwas. Não entraremos em detalhes sobre isto, pois a literatura mística da Índia é bem no assunto.

           

Todos os ritmos são sétuplos, isto é dividem-se em 7 períodos.

           

Existem 3 ritmos importantes que influenciam de maneira notável a vida das pessoas.

           

O primeiro deles está ligado ao período das 24 horas que constitui um dia. Na determinação das condições inerentes a esse ritmo deve-se dividir s 24 horas, o dia em 7 períodos. Cada um desses períodos apresenta condições peculiares para determinados fins. O segundo diz respeito aos 7 dias da semana e o terceiro ligado aos 365 dias do ano. Temos pois o ritmo diário com 7 períodos, o ritmo semanal com 7 períodos e o anual também com 7 períodos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 1

 

Ciclo anual       =     360  dias : 7 = 51,4285  dias

Ciclo semanal   =     1 semana : 7  =  1 dia

Ciclo diário      =      24 hs.       : 7 = 3, 4285 hs.

           

Estes ritmos estão presentes em todos embora de pessoa para pessoa possa haver discrepâncias acentuadas. Isso é decorrente das interferências de um ritmo sobre outro. Os ritmos individuais se somam algebricamente resultando uma condição peculiar a cada pessoa.

Há condições que embora sejam comuns a todas as pessoas mesmo assim os rimos próprios da pessoa podem determinar resultados diferentes.

           

Um outro ritmo de grande importância é o ritmo lunar de 28 dias. Talvez seja o mais conhecido dos ritmos da natureza pela influência que exerce sobre os seres vivos, até sobre os mares provocando marés, etc. As influências são marcantes nas diferentes fases. No ciclo lunar amplo estão contidos ciclos menores.

           

Na fig. 2 temos representado o gráfico do ciclo lunar. Vemos que ele tem uma fase positiva e outra negativa.

           

Queremos salientar que o semi-ciclo negativo não indica que ele seja pior ou melhor que o positivo. O sinal + e - apenas simbolizam ciclos em fases diferentes mas não propriamente negatividade.  Muitas condições são melhores no ciclo negativo e outras no positivo e vice-versa. Uma determinada coisa boa pode ocorrer em ciclo inferior, ou vice-versa. [2]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 2

     

Este ciclo pode ser divido de varais maneiras sendo conforme estudaremos no Tema 350 (Ciclos Lunares).

 

[1] Ultimamente foi colocado mais um biorritmo, o intuitivo.

[2] - Não nos aprofundaremos neste estudos pois existe um livro em que o assunto está bem apresentado com certos detalhes e editado pela Ordem Rosa-cruz. Aqui visamos apenas mostrar de uma forma lata  o que representam os ciclos na vida  na terra.