“Dize, não é mais belo o vasto oceano que uma simples gota?” (VELOSO, Arthur)

O Princípio de Causa e Efeito e as Leis do Universo

 

Dissemos que ao nível da CRIAÇÃO PRIMORDIAL  que se manifesta em Kether há 3 leis e como conseqüência três níveis de complexidade.

           

Os 4 - “mundos” - estudados pela Cabala:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AZILUT  =   Nível da Emanação      =   6 leis     =  6  níveis de complexidade  =  6 níveis de dificuldades. 

BERIAH  =  Nível da Criação          =  12 leis    = 12 níveis de complexidade = 12 níveis de dificuldades.

YEZIRAH = Nível da Formação      =  24 leis    = 24 níveis de complexidade = 24 níveis de dificuldades.

ASIYAH = Nível da Manifestação   =  8             = 48 níveis de complexidade = 48 níveis de dificuldades.

MUNDOS INFERIORES                =  98 leis    = 98 níveis de complexidade = 48 níveis de dificuldades.

           

Em decorrência da progressão crescente das leis e das conseqüentes dificuldades reside a razão pela qual é tão difícil se viver no mundo material em que a pessoa está sujeita a 48 leis, isto é a 48 níveis de dificuldades. O que é ainda pior, as dificuldades não são lineares, elas se combinam.

           

O desenvolvimento espiritual torna-se mais fácil se a pessoa não somar dificuldades. Seja qual for o problema, a dificuldade está contida numa das 48 dificuldades básicas. Uma dificuldade sempre tem uma causa e por sua vez é sempre efeito de uma de uma outra dificuldade.

           

Se uma pessoa se encontra em uma dificuldade deve procurar resolve-la antes que surja uma segunda, uma terceira, e assim por diante, pois resultará um emaranhado tão grande que a pessoa nem sabe como começar a resolver os múltiplos problemas. Deve-se ter em mente que qualquer problema é sempre causa e o efeito serão outras dificuldades.  

           

O que é em baixo é como o que é em cima, PRINCÍPIO DA CORRESPONDÊNCIA, portanto o PRINCÍPIO DE CAUSA E EFEITO, de certa forma, é decorrência da própria causa cósmica, como veremos a seguir.

           

Desde que se tenha em mente que há uma causa anterior até mesmo para a totalidade do Universo  é fácil se entender que  tudo que existe tem uma causa, que todas as coisas são NADA mais do que o efeito de alguma coisa preexistente. Portanto toda causa tem um efeito e todo o efeito tem sempre uma causa, eis um ciclo cósmico de existência.

           

Este princípio destrói toda a nossa idéia de que algo possa existir por acaso. O acaso não existe, sempre há leis e princípios regem todas as manifestações. Sempre, por mais aleatório que algo pareça ser, na realidade houve leis, houve coisas que contribuíram para que tal ocorresse exatamente daquela forma e não de outra.

           

No Universo coisa alguma é creada, toda criação preexiste. Na realidade, no máximo, se pode dizer que na natureza é valida a expressão do sábio Francês  Lavoisier: Na natureza Nada se cria, tudo se transforma.

           

Nós, coisa alguma podemos criar, apenas, em casos bem especiais, nos é dado a capacidade de transformar e na maior parte das vezes, a rigor, nem mesmo transformações podemos fazer. No mais das vezes nem ao menos se pode efetivar uma real transformação, pois na realidade o que se efetiva é uma “extração” de algo de um outro algo preexistente. Pode-se fazer surgir algo mas que já está implícito em alguma coisa. Suponhamos que um escultor faça um estatueta de madeira. A rigor aquela estatueta não é uma criação, e nem mesmo uma transformação. Trata-se de uma extração porque ela materialmente já está contida na madeira de onde foi extraída segundo a idéia do escultor. Este não poderia criar se não houvesse a madeira e  nem retira-la da madeira se não houvesse a idéia. Tudo no mundo, de certa forma, vem da mente, até mesmo o próprio universo.

           

A causa da estatueta existe tanto na madeira quanto na mente do escultor, sem essas duas coisas não haveria surgimento de estatueta alguma. Ela é um efeito que tem como causa a madeira e a idéia. A madeira por sua vez é um efeito que tem como causa os elementos que se estruturaram para originá-la. Por sua vez os elementos têm como causa a energia que se organizou segundo um padrão vibratório específico. A energia teve como fonte primordial o NADA. Vemos pois que tudo é efeito e é causa ao mesmo tempo constituindo uma manifestação cíclica. Os dois princípios estão explícitos, o de causa e efeito é o ciclo, acontecendo em decorrência da natureza descontinua do universo. A tudo está ligado algo precedente, as coisas são como elos de uma corrente, sempre tem um precedente, causa , e um subseqüente, efeito. Não há corrente se não existirem os elos em seqüência.

           

O Princípio de Causa e Efeito se analisado isoladamente mostra a não existência do acaso, leva a pessoa à aceitação do fatalismo como algo inerente a tudo quanto há. Muitos estudiosos profanos dos Princípios Herméticos têm incidido nesse engano terrível no qual não recai o Iniciado.

           

É um engano que é capaz de levar a uma degeneração do caráter. Leva a pessoa a pensar assim: Se tudo é efeito de uma causa consequentemente não há em situação alguma culpabilidade. Se existe uma causa determinante para tudo, se existe uma lei universal fazendo com que inexista efeito sem causa logo tudo aquilo que se venha cometer é o cumprimento de uma lei [1], é algo que decorre de uma causa determinante vice-versa. Estabelece-se assim um ciclo sem começo e sem fim dentro do qual a pessoa jamais seria culpada dos seus próprios atos, não existiriam culpas, erro algum em seja lá o que for culposo, haveria então um destino inexorável.

           

Agora voltamos ao exercício mental usado em outras palestras. Por mais remota que esteja o efeito este poderá ser a causa de um outro mais distante ainda em ambos os sentidos, ainda haverá uma causa possível e, por mais que tentemos  examinar um efeito ainda é possível ser este causa de um outro e assim sucessivamente  assim vemos que o paradoxo de Zenão[i] se faz presente.

           

A creação é o resultado da transformação da continuidade do NADA na descontinuidade das coisas creadas. Como analogia podemos dizer que a continuidade seria como uma peça de um dominó e a criação uma sucessão de peças colocadas de pé lado a lado. Derrubando-se uma peça isolada ela cai de uma vez, mas o mesmo não acontece quando se derruba uma que estiver colocada dentro da sucessão de peças. Nesta condição ocorre uma onda de transmissão de quedas, uma peça é causa da queda da seguinte e vice-versa versa. Uma é causa e outra efeito e vice versa.

           

O ciclo de causa / efeito por ser Cósmico está no Infinito, portanto a esse nível ele é imanifesto. A origem deste ciclo está no Infinito e como o Infinito está em toda parte e em todo tempo, existe consequentemente uma forma dele ser penetrado e assim ser rompido a continuidade perene.

 

O CICLO CAUSA / EFEITO EMBORA INFINITO É PENETRÁVEL .

           

Temos mostrado que na origem de tudo está o querer, que o querer é a mais significativa das faces do PODER SUPERIOR que se nos apresenta. Temos dito que tudo se faz pelo querer, que até mesmo todo o Universo é um fruto do Querer Cósmico. O Querer  - Princípio Ativo do NADA (RA) - agiu sobre a essência primordial - Princípio Passivo, receptivo, do NADA (Ma ) - fazendo-o vibrar, e a criação se fez.

           

Assim o Querer gerou o ciclo CAUSA / EFEITO e só esse mesmo QUERER pode interrompê-lo, evidentemente. O Querer é inerente à Consciência[2] , portanto o querer está presente onde quer que a Consciência esteja e assim sendo, embora o ciclo CAUSA / EFEITO seja um dos Princípios Cósmicos na creação, ele pode ser penetrado, pode ser detido pelo querer.

           

Só o Querer, portando, pode anular ou modificar o determinismo, portanto o destino absoluto não existe. Existe sim o destino relativo e que nada mais é do que um aspecto do Principio de Causa / Efeito.

           

Como vimos, o querer é u o único poder capaz de penetrar os Princípios Cósmicos citados como PRINCÍPIOS HERMÉTICOS.

 

 

[1]- Dentro de um conceito muito abstrato e sutil isto é verdadeiro. Ainda não podemos revelar, escrever neste nível pois se trata de um conhecimento bem transcendental e de certa forma inefável.

[2] Na verdade transcende a própria Consciência

 

[i] O filósofo grego Zenão propôs o seguinte enigma: Uma corrida entre uma tartaruga e o maior corredor grego Aquiles. Dizia Zenão, coloque-se uma tartaruga à uma determinada distância na frente do corredor Aquiles. Suponham que num dado momento seja dado partida simultânea de uma corrida entre a tartaruga e Aquiles. Quando Aquiles chegasse no ponto em que a tartaruga estava no início da corrida esta, por mais lenta que fosse, já haveria se deslocado um tanto para diante, quando esse segundo ponto fosse atingido por Aquiles a tartaruga,  evidentemente, já haveria se deslocado um tanto para diante e assim sucessivamente. Teoricamente jamais a tartaruga seria alcançada por Aquiles. A prática, porém, mostra que isso não é verdadeiro pois rapidamente Aquiles ultrapassaria a tartaruga. Como explicar esse paradoxo ? - O espaço, tal como ele se nos apresenta, é descontinuo, como descontinuo é tudo aquilo que existe no universo criado. Portanto, entre uma fração de descontinuidade do espaço e outra é que ocorres a ultrapassagem. Se o espaço dentro do universo fosse contínuo jamais Aquiles ultrapassaria a tartaruga porque sempre haveria um ponto mais adiante para a tartaruga, por menos que fosse esse espaço, até atingir o infinito.

 

A criação é o resultado da transformação da continuidade do NADA na descontinuidade das coisas criadas. Como analogia podemos dizer que a continuidade seria a peça do dominó e o a criação a sucesso de todas as peças muitas peças colocada de pé lado a lado. Derrubando-se uma peça isolada ela caria de uma vez, mas o mesmo não acontece quando se derruba a sucessão de peças lado a lado, pois há uma onda de transmissão se processando de uma peça para outra, uma depois da outra vai caindo. Assim, aquilo que é continuo se transforma tornar-se descontinuo. Dentro da Criação é portanto sua constituição.  Na continuidade jamais Aquiles ultrapassaria a tartaruga, mas na descontinuidade sim pois entre um outro ponto de referência existe uma descontinuidade exatamente onde ocorre a ultrapassagem.

 

 

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