O Mundo dos Devas

“Creio que a sabedoria divina serve-se
de agentes e de virtudes para fazer
seu verbo em nosso interior”.
SAINT-MARTIN

O  Mundo dos Devas

Nos textos anteriores falamos do mundo dos Elementais, plano contíguo ao da matéria densa. Agora estamos iniciando um estudo sucinto das expressões de consciência inerentes a mais um dos planos da sequência sétupla, exatamente as de um nível acima do nível dos Elementais, e que, entre outras denominações, é conhecido pelo nome de MUNDO DOS DEVAS.

Dissemos que os Elementais não são dotados de discernimento, mas vale salientar que o nível de consciência manifestada pelos Elementais não é o mesmo para todos eles. Há uma gradação bem acentuada entre diferentes Elementais, tal como acontece no mundo material com referência às pessoas, em que nem todas têm o mesmo nível de consciência, inteligência e discernimento. No mundo material existem pessoas que têm um discernimento mínimo e pessoas que já o têm bem desenvolvido. Assim também acontece com relação ao mundo dos Elementais, há uma gradação. Embora em nenhum nível os Elementais cheguem a ter discernimento, mesmo assim há os que estão muito distantes dessa condição e os que estão já bem próximos disto. O nível de não discernimento, portanto não é o mesmo grau para todos os Elementais. Quando o discernimento se faz presente, então, já se trata de um Devas.

Por isso dissemos, que mesmo que cada um dos elementos da Natureza tenha um rei, uma forma de consciência que dirige todos os elementares, como, por exemplo, Djinn, rei dos elementares do Fogo, na realidade se trata de um Devas sob cujo comando estão todos os Elementais deste elemento. Como rei Djinn, bem como os demais reis dos elementos, tem discernimento por isso embora muitos autores considerem-nos Elementais na realidade eles são Devas.

Uma Devas é uma expressão de consciência bem mais elevada que um Elemental e que, via de regra, atua no mundo da matéria densa por intermédio destes. Os Elementais, por não serem dotados de discernimento, podem ser comandados tanto pelos seres humanos quanto pelos Devas. Pelos seres humanos o comando está sujeito a ter características negativas, dando-se o inverso quando comandos pelos Devas. Quando dizemos negativo não estamos dizendo ruim, pois o mal e o bem são condições relativas. Sendo assim um comando de um Devas pode parecer de imediato ruim para uma determinada pessoa, ou mesmo para grupos de seres. Uma catástrofe, como por exemplo, o Diluvio, naturalmente foi comandado por Devas em resposta a uma lei maior. Não interessa aos Devas o lado pessoal humano e sim o plano cósmico das coisas. Estamos esclarecendo isso porque há autores que dizem que os Devas jamais participam de uma ação ruim, enquanto outros afirmam que sim. Preferimos dizer que os Devas jamais participam de atos de caráter negativo. Jamais eles se envolvem com atos negativos, mas sim em atos que uma pessoa pode considerar uma coisa ruim, isto depende de quem recebe. Um antibiótico, como já dissemos, é ruim para uma bactéria, mas é bom para um ser humano. Desta forma nem sempre um comando dévico é agradável para a uma pessoa.

Assim como um Elemental, um Devas quando se apresenta assume alguma forma definida baseada nos arquétipos, mas que não tem forma densa.

Os Devas são dotados de discernimento e atendem àquilo que vem do alto, de níveis mais elevados de consciência, e assim sendo eles não agem sobre os Elementais para a produção de qualquer condição que não seja harmônica com o plano da natureza. Como veremos em futuras palestras, os Devas são expressões da Consciência dotados de discernimento e que comando os Elementais apenas em atos de caráter positivo. Os Elementais podem ser comandados pelos seres humanos ou pelos Devas. Se os Devas deixam de comandá-los resta o comando imediatista e materialista dos homens. Isto que estamos dizendo já foi previsto há décadas passadas de uma forma indireta por alguns dos mentores da humanidade. Quando os Elementais não estão sob algum tipo de comando eles agem simplesmente como forças cegas.

Os Devas não são comandados pelos seres humanos como acontece com referência aos Elementais, mas podem ser invocados em determinadas situações. Isto pode ser de grande benefício para o ser humano como veremos nestas palestras.

Agora vamos fazer uma revelação para dirimir dúvidas, para dissipar um engano que existe em praticamente todas as doutrinas que se referem aos seres dos demais planos da sequência sétupla. Queremos salientar que muitas doutrinas cometem o engano de admitir que os Elementais, os Devas, e outros seres de planos mais elevados são linhas de evolução especiais, quando na realidade o desenvolvimento espiritual é inerente apenas aos espíritos da linhagem humana, pois foram estes que caíram (espíritos caídos), que se envolveram negativamente num determinado momento da criação como dizem algumas doutrinas.

As linhagens de seres dos múltiplos planos existem para compor o universo, especialmente visando apoiar, dar condições para que os espíritos possam se desenvolver. Arcanjos, Anjos existem para conscientização do Universo e especialmente para comandar a Força Universal, as forças operantes do universo. Os Devas e os Elementais no geral atuam desta maneira, especial no atendimento vital de tudo o que diga respeito aos humanos

As múltiplas expressões de consciência no Universo existem para auxiliar o espirito na sua caminhada de desenvolvimento. Elementais, Devas, Anjos, Arcanjos, Querubins são expressões da própria Consciência Cósmica atuando na manutenção do universo nos seus diversos planos. Eles não evoluem, são apenas consciência em ação manifestas em maior ou em nível de discernimento e de autodeterminação. Não são impuros e nem envolvidos. Um espirito geralmente está envolvido em impurezas e imperfeições, mas isso não acontece no que se refere a um Elemental, nem a um Devas, por isso eles não têm do que se desenvolverem.

Outro grande equívoco cometido a respeito das expressões de consciência nos planos da sequência sétupla é a afirmativa de que algumas categorias de Devas algum dia já estiveram encarnados na terra, fizeram parte da linhagem humana. Podemos afirmar não ser isso verdade. É por esta e outras razões que muitas pessoas deixam de aceitar a existência dos seres dos planos além daqueles que habitam o mundo material.

Como são os auxiliares do desenvolvimento espiritual no Universo os Devas podem ser invocados visando o atendimento de necessidades dos seres humanos, mas há um ponto de diferenciação muito grande entre eles e os Elementais. Um Elemental pode ser invocado e direcionado negativamente, enquanto isto não é possível em se tratando de um Devas pois que estes têm um discernimento bem maior que de um ser humano.

Já que existe um inconcebível número de coisas dentro da criação é natural que assim também seja no que diz respeito ao número dos Elementais, mas com referência ao número de Devas ele é bem menor. Os Devas comandam grupos enormes de Elementais. Assim podemos dizer que um Devas responde por um gênero de coisas. No mundo vegetal há um Elemental para cada célula, para cada planta, mas apenas um Devas para um grupo inteiro de vegetais. Não podemos dizer se existe um Devas para cada espécie de vegetal, ou para um bosque inteiro, apenas estamos afirmando que são expressões de consciência em um nível bem mais amplo, por assim dizer, são consciência a nível grupal.

Os Devas na sequência sétupla da criação pertencem ao nível rupa, por isso eles assumem formas quando se manifestam. Na realidade a vibração deles é bem mais elevada que a dos Elementais e as formas são menos definidas, menos definidas e bem mais tênues.

No mundo material prevalecem as formas, no mundo Elemental prevalecem os sons e no mundo dévico prevalecem as cores. O que mais caracteriza um ser material é sem dúvidas a sua forma, que pode estar ou não acompanhada de um som ou mesmo de uma cor. No mundo material uma cor para se manifestar requer uma forma na qual ela o faça; um som requer uma estrutura material. Basta faltar o ar atmosférico no mundo material que som algum se propaga. Enquanto isso no mundo Elemental não é assim, o som é mais importante que a forma, por isso sempre que um Elemental se manifesta ele vem sempre acompanhado de algum som peculiar. Por isto é isso é que se falam tanto dos sons da natureza, como por exemplo o som das águas, das cascatas, das folhas, do vento, do fogo, e outros. Há sempre algum tipo de som onde quer que se manifeste um Elemental, assim sendo se uma pessoa tiver uma visão sem que haja concomitantemente algum não, por certo ela não realmente percebendo um Elemental e sim tendo uma ilusão de ótica, alucinação ou coisa equivalente.

No mundo material só é possível som onde existe alguma forma concreta da qual ele é emitido ou ecoado. No mundo Elemental já não é assim, há sons inerentes que não parecem provir de algo e nem de reverberações, um som desacompanhado de qualquer forma aparente que o esteja produzindo. Como se trata de nível rupa sempre há alguma forma relacionada a ele, porém não tanto quanto no plano material.

Numa invocação em nível de mundo Elemental o fundamental são os sons, as palavras, os mantras, as vocalizações e mesmo a música, e secundariamente de formas. Em nível do mundo dévico o mais importante são as cores, as nuances de cores, as visualizações. Quando o Mago ou Adepto trabalha a nível material ele sempre faz uso basicamente de formas e secundariamente de sons e cores.

Cada Devas tem tonalidades de cores próprias pelas quais ele pode ser identificado. É mais fácil identifica-los pelas cores do que pelas formas. O Adepto deve conhecer bem as cores de cada Devas afim de que possa ser atendido com precisão numa invocação para contacto. Numa iniciação a nível Elemental geralmente é ensinado uma série de sons especiais para diferentes tipos de necessidades e ocasiões.

Somente existem três cores básicas e isto está de acordo com a própria natureza trina da criação. Assim como UM- DOIS e TRÊS é apenas UM, no Universo as coisas parecem múltiplas, mas na realidade a multiplicidade resulta do desdobramento do UM em TRÊS e a partir destas derivam-se todas as formas de existência. O mesmo repete-se no que diz respeito às cores, essencialmente existe apenas uma cor que contém todas as demais. O passo seguinte são as três cores básicas e daí mais quatro e uma sucessão praticamente infinita de nuances intermediárias. Na senda do retorno, essas cores são reabsorvidas nas Três e, daí, novamente em uma.

No desdobramento da sequência sétupla as cores se desdobram em sete e podemos dizer que cada plano tem a sua cor própria. Esta não é única e sim predominante, básica, embora todas as demais cores possam estar presentes. O Mundo Dévico tem sua cor básica, assim como o Mundo Angelical, ou o Mundo Elemental. O mesmo se pode dizer com referência aos sons. Queremos lembrar que as formas só estão presentes nos quatro planos mais inferiores enquanto que os sons e as cores transcendem esse limite.

Assim como cada plano tem uma cor básica também cada um deles tem a sua própria nota tônica, nota musical básica. São sete os planos e são sete as notas. As coisas do universo mantêm correspondências sétuplas com tudo. Assim sendo podemos dizer que os Elementais, Devas, Anjos, etc. têm não apenas um som e uma cor peculiar, mas também uma forma ; da mesma maneira está associado a um metal, e muitas outras correspondências.

Desde que cada plano tem suas caracterizações é importante que a pessoa saiba exatamente o que está querendo invocar pois as mentalizações das correspondências relativas ao plano facilitam, ou mesmo pode-se dizer, são fundamentais para isso. O Adepto deve conhecer as características do plano com o qual quer contactar e usar as correspondências no maior número possível. Em outras palavras, se uma pessoa pretende contactar o mundo dévico deve conhecer primeiramente a cor básica, e depois os sons, formas, metal e muitos outros elementos.

“Só se podem dizer muito poucas coisas sobre a analogia existente entre os planos e as cores, pois o homem inteligente, mas ainda espiritualmente não desenvolvido, poderá utilizar mal essas leis e acarretar grandes destituições. Lembrem-se das trombetas de Jericó”. - O TIBETANO.

A meditação sobre as cores visando contactar com o Mundo Dévico é de uso comum no Budismo através das mandalas, entre os Hindus há os Yantras e muitas outras religiões também empregam técnicas de visualização e de meditação usando algum tipo de dispositivo que empregam forma e cor.

Esses segredos são privilégios do iniciado, são informações que ele recebe nas cerimônias de iniciação sobre o que deve guardar sigilo. Muitas vezes a pessoa naturalmente percebe alguns desses segredos, mesmo que não seja numa iniciação, porém é nesta que ele recebe o maior número delas.

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Notas explicativas:
1-É verdade que nos quatro panos superiores (arupa) não existem coisas com formas, mas mesmo assim cada plano está identificado a uma forma geométrica perfeita.