Seres da Natureza

“Geralmente, definimos Deus,
dizendo tudo o que ele não é”.

Seres da Natureza

Nessa palestra visamos estabelecer uma conceituação pessoal, no que diz respeito às palavras que, muitas vezes, são empregadas com sentidos oposto em diferentes sistemas místicos, afim de que os temas futuros em que constantemente estaremos falando a respeito das formas de consciência dos diferentes planos do universo possam ser compreendidos consciência. Não visamos estabelecer uma sistematização de termos apenas precisar o sentido em que os usaremos.

Sente-se que existe grande confusão de termos quando se lê sobre os seres de outros planos de existência. O que uns descrevem como Devas outros o descrevem como Elemental, outros como Gênios e assim por diante. Por exemplo, uns usam a palavra Elementais indicando seres de natureza positiva e Elementares seres negativos, espíritos atrasados, trevosos, obsessores e coisas assim. Muitas vezes temos visto cada um destes termos para indicar coisas distintas, e até mesmo com sentido inverso. Por essa razão queremos precisar ao que queremos nos referir quando usarmos os termos: Alma, espirito, anjo, devas, gênio, elementais, elementares, gnomos, elfos, djins, e muitos outros.

A consciência, e consequentemente a vida está difundida em todo o universo e em todos os planos. Como coisa alguma está separada tudo contém todas as coisas e todas as coisas contém tudo. Tudo está em tudo.

Vida e consciência são faces do Poder e que pelo que tem em si todas as qualidades essenciais do Poder Superior entre as quais a Onipresença, portanto não existe lugar algum em que Vida e Consciência deixem de estar presentes. O que muda é tão somente a forma de apresentação. Essas condições ocorrem sob uma infinidade de aspectos em decorrência exatamente da imensa diversificação que ocorre nos planos inferiores.

Temos mostrado que tudo aquilo que existe no Universo, parte de um ponto e se – dicotomisa – “esgalha” em seguidas sucessões sétuplas. Assim, pode-se perceber pelos desenhos e gráficos da “Árvore da Vida” interligadas apresentados em temas anteriores que a criação mesmo partindo de um único ponto, ao atingir o nível mais denso, o sétimo nível, apresenta-se sob um altíssimo número de coisas. Como já dissemos, são arvores dentro de arvores. Tomando-se como exemplo a escala musical, que se constitui de oitavas, sucessivas, cada oitava com sete notas e cada nota contendo outra oitava também com sete notas e cada uma dessas notas contendo oitavas e assim sucessivamente até um limite inconcebível.

Mas, por mais distante que esteja uma das notas de uma determinada escala, ela não deixa de estar ligada a todas as demais e que todas tiveram início a partir de uma nota primeira.

Como todas as coisas em algum ponto interligam-se podemos dizer que a vida, a consciência e assim também todos os demais atributos do UM se fazem presentes, em maior ou menor intensidade, em quaisquer dos níveis. Em todos os 7 planos e no incomensurável número de subplanos da existência, desde os mais elevados até os mais densos em que se baseia tudo o que existe no universo todos os atributos da origem, do UM, estão presentes.

Como analogia podemos dizer que o Universo é como se fosse uma via férrea que partindo de um só ponto fossem se originando ramais sucessivos até atingir um inconcebível número de vias, mas que por maior que fosse o número de ramais todos eles interligam-se com outro em algum ponto e até chegar ao original.

Um erro que o ser humano comete é o de pensar que ele tem consciência, quando muito pensar que a vida e a consciência só estão presentes nos reinos animal e vegetal. Muitas vezes chega ao absurdo de afirmar que somente o ser humano tem consciência. - Sim, o ser humano tem um tipo especial de consciência que em manifestação difere da consciência de muitos outros seres, mas não em essência. Na realidade todas as coisas o têm também, cada forma de existência tem a seu modo todos os atributos do Poder Superior, por isso tudo tem consciência e vida.

O universo é o resultado da fragmentação de um ponto original, mas a descontinuidade não ocorreu de forma total, isto é, em todos os níveis. A interligação persiste nos níveis mais elevados, portanto. A interligação de atributos está presente em tudo. Embora que altamente diversificadas sejam as coisas no universo mesmo assim em todas elas, quer sejam materiais quer imateriais, a vida está presente (Quando nos referimos à vida queremos dizer consciência e vice-versa, pois na realidade são uma coisa só).

O estado de vida e consciência, presente numa imensidão de coisas no universo faz com que essa força vital tenha inúmeros atributos em diferentes seres da existência.

Aferrado na ideia de que só existe o plano material, no plano denso a maioria das pessoas só creem no ponderável, isto é, naquilo que é detectável no plano denso, no sétimo mundo, em Malkut, portanto.

Queremos afirmar que não só é verdade que consciência e vida estão presentes em tudo há, mas que também há uma infinidade de formas vivas em todos os demais planos do Universo. O que existe no mundo material, os assim chamados pela ciência de seres vivos, isto é, os seres que vivem no mundo material, na realidade são apenas projeções de outras formas nos demais planos. Uma simples célula na realidade é a projeção a nível material de uma sua homologa existente no planto astral e assim sucessivamente. Todas as formas que são descritas como formas vivas na terra têm correspondentes nos demais planos, mas a reciproca não é verdadeira, nem todas as formas existentes no plano astral e nos demais planos nem sempre têm uma projeção a nível material. Vide Fig.1

Para que possamos ter um melhor entendimento sobre o tema vamos usar uma analogia. Num organismo humano existem trilhões de células cada uma delas, por certo, tem uma homologa nos planos sutis da natureza universal. No organismo as células se agrupam formando tecidos com funções específicas, funções de grupos de células. Por exemplo, no fígado embora cada célula tenha um nível de individualidade (uma célula hepática pode ser cultivada num laboratório fora do organismo, ou seja, conservada viva “in vitro”), mostrando isto que cada uma delas, embora tenha certo grau de individualidade mesmo assim integram-se cumprindo funções comuns ao conjunto.

Assim como o organismo humano, que fisicamente nada mais é do que um aglomerado imenso de células, tem uma alma individualizada, da mesma maneira a tem cada célula. Toda diferença reside apenas na forma de manifestação dessa consciência alma célula. Assim como não se pode comparar uma célula a uma pessoa da mesma maneira não se pode comparar a alma de uma pessoa à alma de uma célula. Há uma distância tremenda entre essas duas condições, mas mesmo assim podemos afirmar que as células têm funções, têm consciência e têm almas com peculiaridades próprias que as tornam muitíssimo diferentes de uma alma humana, mas mesmo assim em essência são uma mesma coisa.

Tudo quanto há tem alma porque alma é vida e tudo tem vida. São exatamente as almas das coisas que recebem muitos nomes. Na realidade a palavra alma é via de regra aplicada ao espirito humano, mas alma é num certo sentido a manifestação da consciência.

Vemos que os seres vivos têm maneiras peculiares, próprias de cada reino, de cada família, de cada filo, de cada gênero, de cada espécie e de cada indivíduo .

Pela biologia vemos que os seres, considerados vivos pela ciência, são classificados por grupos sucessivos desde que existe uma diversificação tremendamente elevada de formas biológicas.

Toda natureza está repleta de consciências homólogas, umas gerenciando outras e isto em decorrência da existência dos 7 Planos da Criação.

Disso advém que haja um determinado nível de confusão sobre o assunto, pois se tudo quanto existe tem inerente a si uma consciência homologa em outros planos, e se tudo tem consciência, então esse número tende ao infinito. Por isso falam-se de espíritos, almas, gênios, djins, elementares, elementais, fadas, gnomos, ondinas, elfos e tantas outras forças da natureza, na realidade deve-se considerá-las expressões da consciência nos diversos planos.

Na realidade todos esses seres existem, mas não se pode compará-los às pessoas. Nos planos inferiores (rupa - eles têm formas, aposentam-se dotados de formas, mas nos planos mais elevados - arupa - são sem formas, não se apresentam com formas definidas). Forma, apenas são manifestações da força vital como energia, mas mesmo assim dotado de consciência.

Assim a água, o vento, a terra, os vegetais, e tudo quanto existe tem uma condição que, de uma forma lata, pode-se chamar de alma das coisas, mas que na realidade algumas têm natureza próximas da alma humana e algumas extremamente afastadas o que condicionar diferentes escalas de valores na maneira de ser e de agir.

Algumas doutrinas têm conhecimento dessas formas de manifestação da consciência nos diversos planos do universo. Como já se pode deduzir, se todas as coisas têm suas réplicas nos inúmeros planos e subplanos, é óbvio que exista um número incomensurável de seres fora do mundo da matéria densa.

Em decorrência do elevadíssimo número de formas de consciência existentes é um trabalho de Hércules querer denominá-las e classifica-las individualmente. Tentar, isto é, o mesmo que tentar contar o número de grãos de areia existente nas praias do mundo inteiro.

Consideramos significativo apenas classifica-las em grandes grupos segundo o gênero de atividade nos diversos planos de existência, embora algumas doutrinas tentem classificar os seres da natureza por classes, por categorias e até mesmo por cargos e funções como acontece em se tratando de pessoas. Chegam a estabelecer reinados, com reis e cortes constituídas por seres imateriais; discutem quanto às funções e coisas assim. Disso advém as discrepâncias quanto aos nomes usados, aos grupos etc.

Os planos de existência pululam formas de consciência, todas têm uma função diante da natureza, mas as coisas existentes na natureza são em tão elevado grau que se torna impossível o estabelecimento de uma classificação coerente. Tentar classificar as formas de existência do astral é praticamente impossível, é como penetra num intrincadíssimo labirinto, é se perder num labirinto intrincadíssimo do qual é impossível se chegar á parte alguma de uma forma coerente.

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Notas explicativas:
1- Estamos nos referindo à família, gênero, espécie no sentido da classificação biológica dos seres vivos.